Petróleo cai pelo terceiro dia com perspetiva de reabertura do estreito de Ormuz
Os preços do petróleo estão a cair pelo terceiro dia consecutivo, pressionados pelos sinais de avanço diplomático entre o Irão e Omã com vista à criação de um "quadro provisório" que permita retomar o tráfego marítimo através do estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio energético mundial.
A possibilidade de reabertura desta rota marítima está a aliviar os receios dos mercados quanto a uma interrupção prolongada do abastecimento de petróleo e gás natural. Antes do início da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural consumidos em todo o mundo transitava pelo estreito de Ormuz, o que faz desta passagem um ponto estratégico para a estabilidade dos mercados energéticos internacionais.
Perto das 08h de Luanda, o Brent, referência para as exportações angolanas, recuava 2,2% para 86,7 USD por barril, acumulando uma desvalorização superior a 8% desde o início da semana. O West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, acompanha a tendência e perde 2,4% para 80,4 USD por barril.
No mercado europeu de gás natural, o movimento também é negativo. O contrato negociado em Amesterdão recua cerca de 5%, para 63,4 euros por megawatt-hora, refletindo igualmente a redução dos prémios de risco associados a uma eventual perturbação prolongada do fornecimento energético.
De acordo com um comunicado divulgado pela agência de notícias de Omã, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países que fazem fronteira com o estreito de Ormuz discutiram uma iniciativa destinada a estabelecer um "corredor marítimo conjunto temporário". A proposta pretende facilitar a circulação de navios e permitir que o petróleo, o gás e outras mercadorias voltem a atravessar esta importante via comercial.
O desenvolvimento surge numa altura em que se intensificam os esforços diplomáticos para encontrar uma solução para o conflito. Para os mercados, qualquer sinal concreto de redução das tensões representa uma possível diminuição do risco de novos constrangimentos no abastecimento global de energia.
Ainda assim, a evolução dos preços deverá continuar fortemente dependente dos próximos passos diplomáticos e da capacidade das partes envolvidas de garantir condições de segurança para a navegação. Qualquer retrocesso nas negociações poderá voltar a pressionar os preços do petróleo e do gás, dada a importância estratégica do estreito de Ormuz para o comércio mundial de energia.











