Geopolítica pressiona preço do petróleo
O preço do petróleo recuou mais de 2%, reflectindo preocupações com excesso de oferta. Bolsas em alta devido ao sector da defesa. O Dólar valorizou face ao Euro com fracas expectativas de corte de juros na Europa.
Na primeira semana do ano, o mercado petrolífero foi marcado por um aumento de incertezas no campo geopolítico, associado à intervenção militar dos EUA na Venezuela e à intensificação dos ataques ucranianos a infraestruturas de refinação na Rússia. Estes factores reforçaram as preocupações dos mercados quanto a potenciais disrupções no abastecimento do crude.
Em sentido contrário, persistiram receios relacionados com um eventual excesso de oferta. Apesar da decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) de manter inalterados os níveis de produção no início do ano, diferentes instituições especializadas projectam excedente de oferta, sustentado pela fraca dinâmica da procura global. Neste contexto, até quarta-feira, o Brent registava uma perda semanal acumulada de 2,65%, fixando-se nos 60,28 dólares por barril, enquanto o WTI recuava 2,52%, para 56,49 dólares por barril.
O mercado reagia à possibilidade de concretização de acordos entre os norte-americanos e a Venezuela, que deverá permitir a importação de cerca de 2 mil milhões de dólares em petróleo venezuelano, facto que sustenta a expectativa de maior oferta no mercado. Por seu lado, os mercados accionistas internacionais abriram o ano com ganhos generalizados, impulsionados sobretudo pela forte aposta nas acções do sector da defesa, devido aos recentes acontecimentos geopolíticos.
O Euro Stoxx 600, referência para a região europeia, acumulava um ganho semanal de 1,55%, para 605,41 pontos, enquanto, nos EUA, o índice de referência, o S&P 500 valorizava 1,26%, para 6 944,82 pontos, com ambos os índices a negociarem próximo dos máximos históricos.
Na Europa, é cada vez mais consensual que o Banco Central Europeu não deverá proceder a aumentos das taxas de juro, devido à desaceleração da inflação homóloga nas principais economias, com destaque para a Alemanha, onde a inflação recuou de 2,2% para 1,8% em Dezembro, abaixo dos 2% esperados, e para a França, onde diminuiu de 0,9% para 0,8%.
Nos EUA, os investidores mantiveram uma postura cautelosa, à espera da divulgação de dados do mercado de trabalho, que deverão sinalizar o rumo da política monetária. Por fim, o Índice Bloomberg Dollar Spot, que acompanha o desempenho do dólar norte-americano, valorizou 0,39% na última semana, reflectindo-se na desvalorização do euro face ao dólar em 0,54%, para 1,17 USD/EUR.










