Petróleo cede com expectativa de reabertura no Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo iniciaram a sessão desta terça-feira em queda, após a forte alta registada na sessão anterior, reflectindo sinais de alívio nas tensões envolvendo o estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de energia.
Depois de avançarem até 6% no dia anterior, os mercados reagiram a indícios de que os Estados Unidos estão conseguindo reduzir, ainda que parcialmente, o bloqueio imposto pelo Irão na região. A movimentação pode contribuir para a normalização do fluxo de petróleo do Oriente Médio, diminuindo temores de uma crise mais profunda de abastecimento.
Na segunda-feira, os EUA lançaram uma nova operação naval com o objectivo de garantir a segurança da navegação no estreito. Um dos sinais concretos dessa estratégia foi a saída do navio cargueiro Alliance Fairfax do Golfo, escoltado por forças militares americanas, um desenvolvimento que ajudou a acalmar os mercados.
Assim, os contratos futuros do Brent, referência para as exportações angolanas, para julho recuaram 0,5%, sendo negociados a 113,9 USD por barril, após encerrarem a sessão anterior com alta de 5,8%. Já o petróleo WTI caiu 1,5% para 104,9 USD por barril, depois de subir 4,4% no pregão anterior.
Apesar da correcção, o cenário permanece altamente volátil. O Irão intensificou suas acções no Golfo na segunda-feira, em resposta à ofensiva americana, incluindo ataques que teriam atingido navios mercantes. Há ainda relatos de que um importante porto petrolífero nos Emirados Árabes Unidos foi incendiado após uma ofensiva iraniana.
A disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta global diária de petróleo e gás, continua sendo o principal foco de preocupação para os mercados internacionais. O fechamento quase total da rota pelo Irão correu após a escalada do conflito envolvendo EUA e Israel, iniciada em 28 de Fevereiro.
A recente iniciativa americana marca a maior intensificação das tensões desde o anúncio de um cessar-fogo há quatro semanas, elevando o risco geopolítico na região.
Analistas apontam que a queda observada nesta terça-feira também reflete um movimento técnico de realização de lucros, após os ganhos expressivos do dia anterior. Ainda assim, o comportamento dos preços deve continuar sensível a qualquer novo desdobramento militar ou diplomático no Golfo.











