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Economia

BODIVA prepara lançamento do mercado de acordos de venda e recompra

LANÇAMENTO ESTÁ AGENDADO PARA ESTA SEMANA

A partir do final desta semana investidores que necessitem de liquidez imediata poderão "emprestar" os títulos de dívida pública na sua carteira em troca de dinheiro mediante assinatura de um acordo de venda e recompra.

A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) está a preparar o lançamento do mercado de acordos de recompra (Repo) para até ao final desta semana, uma medida que vai aumentar as hipóteses dos investidores transformarem os títulos de dívida pública que detêm em liquidez, sem abdicarem da rentabilidade futura que os instrumentos de dívida pública oferecem, apurou o Expansão.

Ao lançar os acordos de recompra, a BODIVA elimina uma das principais desvantagens que existem relativamente à necessidade de transformar títulos em liquidez imediata no mercado bilateral. Desta forma, cria-se mais uma solução para transformar os bilhetes e obrigações do tesouro em dinheiro sem abrir mão da rentabilidade futura e sem ter de ir ao mercado bilateral, onde quem vende tem de fazer descontos elevados em troca do dinheiro que precisa para honrar os seus compromissos de curto prazo.

Em termos práticos, os detentores de títulos de dívida pública investem neste instrumento financeiro normalmente para obter a rentabilidade por eles oferecida até a maturidade ou fim do prazo de vida do mesmo. Este prazo varia de 1 a 10 anos. Ou seja, ao comprar títulos de dívida pública, o investidor ganha o direito a receber de seis em seis meses a taxa de cupão sobre o valor aplicado, uma espécie de prémio que o Estado paga a quem lhe empresta dinheiro por esta via enquanto durar o empréstimo. Actualmente, a única hipótese que um investidor tem em caso de necessidade de liquidez durante a maturidade do investimento é vender estes títulos no mercado secundário, algumas vezes muito abaixo do real valor da carteira.

Por exemplo, uma empresa que tenha uma carteira de títulos com uma maturidade de 3 anos vale 100 milhões Kz, se precisar de liquidez no curto prazo apenas pode obter liquidez se a vender no mercado secundário. Se negociar no mercado multilateral onde as regras de negociação são mais apertadas e os descontos têm que ter limites, tem a desvantagem de esperar que alguém lhe ofereça o valor que está disposto. Num caso em que o investidor detentor dos títulos de dívida necessite de dinheiro urgentemente, em que não tenha tempo para esperar pela oferta considerada justa, pode vendê-los a outro investidor no mercado secundário, mas recorre a uma negociação bilateral, onde não está exposto a descontos tão elevados, há casos em que uma carteira de títulos avaliada em 100 milhões Kz pode ser vendida a 40 milhões Kz.

Como funciona o mercado de repos

Num acordo de recompra uma parte vende um activo, normalmente títulos de dívida pública, a outra com o compromisso de recomprar numa data futura a um preço superior ao que vendeu. Caso o vendedor não consiga os fundos para recomprar os títulos no prazo acordado do Repo, a venda temporária passa a definitiva e o comprador pode vender o activo a uma terceira parte para reaver os fundos que gastou ou manter na sua carteira de investimentos. Em termos práticos, num acordo de recompra o título de dívida pública funciona como colateral e mitiga o risco de crédito do vendedor ao comprador