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Economia

Denúncias anónimas e identificar beneficiários das transacções financeiras

BANCOS DESENVOLVEM MECANISMOS DE CONTROLO

Garantir a confidencialidade de quem faz denúncias dentro da estrutura dos bancos e desenvolver mecanismos que possam garantir a identificação efectiva dos últimos benefeciários das transações financeiras são importantes para o compliance.

Mário Nascimento da ABANC começa por nos dizer que a questão das denúncias anónimas não é uma responsabilidade da associação. "O importante neste assunto é garantir o anonimato de quem faz essas denúncias, para que exista confiança por parte dos trabalhadores de cada uma das instituições, e que exista tratamento dessa denúncia", refere, acrescentando que "essa é uma responsabilidade que tem de estar dentro das organizações. São os bancos que têm de garantir que internamente esses sistemas funcionam".

Luís Gonçalves, do BFA, diz que na sua instituição "o canal de denúncias é gerido por uma entidade externa. Esta parece-nos ser uma boa solução, apesar de estar no ecossistema do banco, ser gerido por uma entidade independente. Penso que dá mais conforto aos trabalhadores, dando-lhes a certeza que não vão sofrer represálias". Confirma também que têm recebido várias denúncias e que estas têm vindo a ser tratadas, umas confirmando os factos e outras que acabaram por esclarecer alguns procedimentos.

A questão do desenvolvimento do compliance na estrutura dos bancos também ajuda a eliminar comportamentos desviantes por parte dos colaboradores. "Esta mentalidade de compliance contribui para evitar fraudes internas", refere Luzolo de Carvalho, do BPC, que acentua o facto de "apesar de no seu passado o banco ser referenciado como tendo um ambiente propício a fraudes, a verdade é que houve uma enorme evolução. Basta estar atento às redes sociais e aos órgãos de comunicação, onde o BPC é sempre referenciado quando existe uma situação menos boa, e nos últimos meses não há notícias sobre o banco. Isso é um bom sinal".

Um dos maiores desafios do compliance é identificar o último beneficiário das transacções financeiras. "On- -board nós identificamos o beneficiário efectivo, nomeadamente nas pessoas colectivas. Essa é uma prática de todos os bancos. Agora, se as informações que nos são dadas pelos clientes são efectivamente verdade, isso é mais difícil de aferir", refere Inokcelina Carvalho do BAI, "essas são informações que vão sendo actualizadas, até por aquilo que é a informação pública, sendo que no trabalho de due diligence, existe sempre um processo de investigação. Quando o banco tem dúvidas sobre os dados fornecidos, o nível de risco e vigilância do cliente por parte do banco aumenta".

A administradora do BAI sugere mesmo que "poderia ser criada uma central de risco de beneficiários efectivos a nível central, que iria ajudar as instituições. Até porque seria possível cruzar informações entre as diversas instituições, para que o que fosse o beneficiário efectivo num banco fosse também em qualquer outro".

A este propósito, Hugo Teles, do BIC, confirma que "as informações sobre cada um dos clientes vão sendo actualizadas ao longo do tempo, por forma a garantir que a instituição possa confirmar com a certeza possível que o beneficiário efectivo de determinada operação é aquela instituição ou aquela pessoa. Mas penso que temos evoluído bastante nesta matéria, hoje os bancos têm melhores mecanismos e também há maior facilidade de acesso a este tipo de informação. Mas concordo que se esta informação estivesse sistematizada numa central de acesso fácil por parte dos bancos, seria importante".