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Economia

Formação das pessoas e práticas claras são decisivas no compliance

BANQUEIROS E CONSULTORES ALINHADOS QUANTO AO COMBATE À LAVAGEM DE DINHEIRO

Em bloco, todos os participantes no Fórum Banca concordam que só com integridade e boa formação dos peritos das áreas de controlo de operações dos bancos é que se pode travar as más práticas no sector. Especialistas defendem que não basta as regras do GAFI ou do banco central. É necessário ter valores.

Duas semanas e muita agitação depois da avaliação do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) sobre o cumprimento das recomendações contra a lavagem de dinheiro dos 25 bancos comerciais e várias entidades seguradoras, o Expansão juntou líderes de alguns dos principais bancos e executivos de duas das "Big Four" da consultoria financeira e fiscal para analisar o impacto da intervenção do GAFI.

A primeira ideia defendida por todos os convidados é que hoje a banca angolana é completamente diferente daquela que existia há cinco anos, pelo que há muito optimismo face aos resultados. "Nós tivemos interação com os técnicos do GAFI, não vou revelar os pormenores, mas a nossa percepção é positiva. Houve uma evolução muito grande desde a última vez que cá estiveram, hoje a banca está muito mais robusta", começa por dizer Mário Nascimento, presidente da ABANC, que acrescenta: "É importante dizer que a avaliação do GAFI não é apenas aos bancos, mas o todo o sistema financeiro. E, neste aspecto, a banca está muito à frente dos outros sectores. O GAFI também tem essa ideia. Mas, em termos práticos, não vamos ter qualquer avaliação negativa".

A segunda ideia prende-se com o facto de todos estarem de acordo que o trabalho de compliance, apesar dos processos estabelecidos e da tecnologia utilizada, depende muito das pessoas. A administradora executiva do Banco Angolano de Investimento (BAI), Inokcelina Carvalho, não tem dúvidas que a fraca formação das pessoas que cuidam do compliance é o factor de vulnerabilidade do sector. Ou seja, para a gestora, é preciso que as equipas dos gabinetes de análises de operações estejam preparadas.

"Algo que é muito relevante e sobre o qual falamos pouco, e não está sequer mencionado enquanto vulnerabilidade, mas existe, é como é que nós temos as nossas equipas preparadas ao nível da integridade. Nós temos noção de que Angola foi sujeita a um processo de 27 anos de guerra civil, onde os valores foram gravemente afectados. Não existe um programa de compliance onde se integram os programas da AML (anti-money laundering), se não houver valores bem cimentados", defende a administradora.

Inokcelina Carvalho também refere que os bancos comerciais, incluindo o BAI, têm estado a apostar na componente da formação e de busca pela integridade dos seus quadros. "E aí é onde nós também estamos a cingir os programas de conduta e de integridade das nossas pessoas para que elas possam aderir, de forma permanente e sistemática, àquilo que são as boas práticas. E de forma voluntária, sem que haja leis. Só há leis onde não existe bom senso", explicou.

Luís Gonçalves, PCE do BFA, um dos que foi avaliado, admite que o banco só soube que era um dos escolhidos "com duas semanas de antecedência". O gestor reconhece que, ao longo dos 29 anos de estrada do BFA, o banco também teve alguns erros, mas que são "erros" que ajudaram a instituição a crescer e a melhorar os procedimentos.

(Leia o artigo integral na edição 685 do Expansão, de sexta-feira, dia 29 de Julho de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)