Saltar para conteúdo da página

EXPANSÃO - Página Inicial

Economia

Seguradoras e fundos de pensões só valem 5,25% no mercado de capitais

FALTA DE ATRACTIVIDADE REDUZ PARTICIPAÇÃO

As seguradoras e os fundos de pensões estão com uma participação à volta de 5,25% no mercado de capitais, muito reduzida quando comparada com outros países, de acordo com operadores do mercado. Não se sentem ainda atraídos a ter uma presença mais forte.

Até Junho deste ano, os montantes negociados por instituições institucionais em instrumentos da dívida rondaram os 260 mil milhões Kz, sendo que para empresas ligadas aos seguros e fundo de pensões representam apenas 5,25% do total. Os fundo de pensões têm uma participação no mercado de capitais de 2,26% enquanto os seguros estão praticamente nos 3%.

Dentro da carteira de investimento dos fundos de pensões, as contas a prazo têm o maior activo investido com 62,15%, as obrigações do tesouro representam uma quota de 20,91%, seguidos de acções com 4,03% e imóveis com 3,45%. Já na carteira de investimentos das seguradoras existe uma forte penetração no imobiliário com 48,21%, títulos de rendimentos fixos com 17,45%, obrigações do tesouro com 13,51% e títulos de rendimento variável com uma percentagem de 5,01%.

A pouca participação das seguradoras e fundos de pensões no mercado de capitais é justificada pelos operadores por várias razões, mas que passam fundamentalmente pela falta de acesso a instrumentos que sejam atractivos para o mercado segurador. Ou seja, procuram uma dívida de longo prazo quando a maior parte da oferta é de curto prazo. Temem ainda a inflação elevada que pode corroer os retornos associados a estes investimentos. A falta de know-how de pessoas que trabalham com entidades ligadas ao mercado de capitais é outra questão que também tem retraído a participação do sector segurador no mercado de capitais.

Cristina Nascimento, administradora Executiva na Nossa Seguros, sublinha que as seguradoras têm liquidez para investir no mercado de capitais, mas é preciso que se retirem os constrangimentos para que possam investir. "É preciso haver maior diversificação da oferta, porque senão ficamos reféns da dívida pública".

Por outro lado, Dádiva Malanda, chefe de departamento da direcção técnica do ramo Vida da Ensa, reforça que as seguradoras querem investir e quando fala em diversificação refere-se à dívida de longo prazo, porque seria importante para as seguradoras existir empresas do sector agrícola ou da indústria cotadas em bolsas.

"Há toda a necessidade de se criar incentivos para que essas empresas possam organizar as suas finanças e elas próprias terem a preocupação de estarem cotadas em bolsa, porque para nós diversificação é investir noutros sectores", realça.

Mais opções

Em resposta a estas questões, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) e a Comissão do Mercado de Capitais (CMC) avançaram no fórum sobre "Mercado de Capitais e o Sector de Seguros e Fundos de Pensões" que estão a ser desenvolvidas várias iniciativas e lançados desafios para as seguradoras.

"Tem-se feito uma abordagem com a própria Unidade de Gestão de Dívida Pública para emissão de instrumentos que possam ser mais apetecíveis a estes emitentes. Por exemplo, na questão do risco cambial foram apresentadas algumas soluções que passam pela possibilidade de se criarem mecanismos para que as seguradoras possam ter acesso à dívida em moeda estrangeira", explica a directora do gabinete de desenvolvimento do mercado da CMC.

Ludmila Dange avança que existem também vários incentivos para o mercado, como a criação de regulamentos sobre derivados, sociedade gestora de participação, programa de potenciação de emitentes, programa de emergentes, programa de apoio às pessoas que querem participar no mercado como investidores, entre outros incentivos.

Quanto às oportunidades de investimento na BODIVA, Johny Soki, director do gabinete de estudos e estratégia da CMC, avançou que existem vários segmentos que podem ser aproveitados, como o segmento de mercado de bolsa de obrigações privadas, mercado de bolsa de unidades de participação, operações sobre valores mobiliários e mercado de operações de reporte, entre outros. "De forma geral, temos uma bolsa interactiva com compra de acções acima da média, pois tivemos no primeiro semestre negociações na Bodiva acima de 473,6 mil milhões Kz", finaliza.