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OTs de 170 mil milhões Kz para capitalizar a TAAG

COM O OLHO NA PRIVATIZAÇÃO

A capitalização da TAAG volta a ser feita por via do mercado de dívida. O Estado aprovou uma emissão especial de Obrigações do Tesouro até 170 mil milhões de kwanzas, com taxas que podem atingir 15% nas maturidades a três anos e 17,25% a cinco anos, num movimento que combina reforço financeiro imediato com preparação para a privatização parcial da companhia aérea. O montante global é emitido em títulos com o valor nominal de 1.000 kwanzas, numa operação que não passa pelo modelo clássico de subscrição aberta ao público, mas sim por uma colocação directa e escritural.

Na prática, o mecanismo funciona como uma capitalização indirecta: o Estado emite dívida, regista os títulos a favor da TAAG na BODIVA e, com esse acto, reforça os capitais próprios da empresa. Ou seja, não há entrada directa de cash por via de investidores privados nesta fase, mas sim uma conversão de dívida pública em reforço patrimonial da companhia, com impacto na sua estrutura financeira e na capacidade de cumprir rácios exigidos num processo de abertura ao capital. As OTs associadas à operação seguem a lógica de benchmark bonds, com maturidades de três e cinco anos, pagando juros semestrais e sendo reembolsadas ao valor nominal no vencimento.

As taxas indicativas - 15% para três anos e 17,25% para cinco - colocam estes instrumentos no patamar mais elevado da curva em moeda nacional, sinalizando o custo crescente do financiamento interno, mas também a necessidade de tornar a operação atractiva e alinhada com as condições de mercado.

Apesar de a emissão ser inicialmente registada a favor da TAAG, os títulos podem posteriormente ser transaccionados no mercado secundário e utilizados como colateral em operações financeiras, o que abre espaço à participação indirecta de bancos e outros investidores institucionais, num segundo momento. Mais do que um simples reforço financeiro, esta emissão deve ser lida à luz da estratégia de privatização da transportadora.

O objectivo é limpar e robustecer o balanço da empresa antes da entrada de investidores privados, num processo que deverá ser parcial - inferior a 50% do capital - permitindo ao Estado manter o controlo, mas reduzindo a exposição financeira e transferindo parte do risco operacional.

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