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Sector dos seguros "perdeu" 432.726 apólices em 2025, mas prémios cresceram 24%

O SECTOR SEGURADOR FECHOU 2025 A FACTURAR MAIS, MAS A VENDER MENOS

É um novo record em kwanzas, num cenário que revela um crescimento suportado por contratos de maior dimensão e maior valor unitário, e não por um alargamento da penetração do seguro. Apesar de ser a segunda vez em 10 anos que os prémios superam a inflação, a penetração do mercado permanece abaixo de 1% do PIB.

O sector segurador fechou 2025 a facturar mais, mas a vender menos. Número de apólices diminuiu 38,2% para 701.052, mas os prémios brutos emitidos no mercado cresceram 24,0% para 586,9 mil milhões Kz face aos 473,7 mil milhões Kz contabilizados em 2024, segundo cálculos do Expansão com base nas estatísticas da Agência Angola na de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG). Contas feitas, as 21 seguradoras que operam no mercado arrecadaram mais 113,3 mil milhões Kz.

Este é o valor mais alto de sempre, estabelecendo-se um novo máximo histórico em Kwanzas. Entretanto, se os prémios forem convertidos em dólares (à taxa de câmbio média de cada período), os 586,9 mil milhões Kz correspondem a 643,6 milhões USD, fi cando apenas abaixo dos 680,2 milhões USD registados em 2022. Só que o ano de 2022 foi marcado pelas eleições gerais, tendo o Tesouro apreciado artificialmente a moeda nacional ao inundar o mercado cambial com as divisas provenientes das receitas fiscais que resultaram da alta de preços do barril de petróleo nos mercados internacionais. Isto potenciou o aumento das importações, o que permitiu a queda dos preços dos bens de consumo em ano eleitoral. Entretanto, a factura veio logo a seguir com o kwanza a desvalorizar 39,2% em 2023.

Assim, o crescimento dos pré mios em 2025 deve-se à recuperação do ramo vida que cresceu 53,0% para 46,1 mil milhões Kz, depois de ter registado uma queda 38,0% em 2024, bem como o aumento de 24% do não vida (+22%), impulsionado, sobretudo, pelos ramos doença, que registou um aumento de 24%, atingindo 209,8 mil milhões Kz, e petroquímica, que saiu de 85,1 mil milhões para 108,1 mil milhões Kz (+27,0%). Ambos cresceram acima da média de 22% observa da nos ramos Não Vida. Juntos, já representam 54% do total das vendas de seguros no País.

Este desempenho não surge por acaso. Quanto ao seguro de Saúde, o avanço explica-se pelas fragilidades do sistema nacional de saúde. Perante as dificuldades existentes, quem tem capa cidade financeira opta por contratar um seguro para garantir melhor acesso a cuidados médicos.

Já na Petroquímica, deve-se ao facto de a indústria petrolífera ser a mais importante da actividade económica do país, onde a contratação de seguros faz par te da gestão normal dos riscos.

Ainda assim, a forte dependência destes dois ramos mostra que o mercado continua pouco diversificado. Seguros obrigatórios como automóvel, acidentes de trabalho, multirriscos e responsabilidade civil permanecem abaixo do potencial que podem alcançar.

Olhando para o desempenho de outros ramos Não Vida, por exemplo, o ramo automóvel, que tem apenas um peso 8,1% dos prémios cresceu 15% para 47,7 mil milhões Kz, seguindo dos ra mos de acidentes de trabalho (que detém 7,9% das vendas), que cresceu 14%, ao passar 40,9 mil milhões Kz para 46,6 mil milhões, incêndio e elementos da natureza (22,8 mil milhões) e aéreo, marítimo e transportes (20, 2 mil milhões kz).

Os ramos Acidentes Pessoais e Viagens, apesar de representarem apenas 0,6% e 0,3% do total das vendas, respectivamente, registaram desempenhos positivos de 83% (3,8 mil milhões Kz) e 19% (1,5 mil milhões), respectivamente.

Crescimento acima da inflação

Entretanto, o crescimento dos prémios do sector (+24,0%) superou a inflação homóloga que, no final de 2025, se fixou em 15,9% (tendo atingido 21,7% ao longo do ano), evidenciando um ganho real do mercado segura dor. Trata-se da segunda vez, em dez anos, que as vendas crescem acima da inflação, à semelhança de 2019, quando também se registou um aumento dos prémios superior à variação dos preços.

Assim, o sector apresenta um crescimento real positivo, o que, em termos gerais, reforça a confiança dos operadores e abre perspectivas favoráveis para os resultados das empresas segura doras no exercício de 2025. Para Gabriel Cangueza, CEO da Academia de Seguros & Fundo de Pensões de Angola, a subida dos prémios acima da inflação sinaliza a expansão efectiva da actividade seguradora, e não apenas o ajustamento nominal de preços.

"É um sinal de recuperação económica e maior procura por cobertura de risco, reforço da capitalização e robustez financeira das seguradoras, bem como uma maior capacidade de absorver riscos e cumprir responsabilidades futuras", apontou. "Sendo apenas a segunda vez em 10 anos que o crescimento supera a inflação, trata-se de um marco relevante para o sector, podendo indicar uma fase de consolidação e maturidade gradual do mercado", reforçou.

O administrador da Nossa Seguros, Miguel Guerreiro, considera que é tentador concluir que o sector registou um crescimento real. No entanto, alerta que essa leitura pode ser ainda precipitada, uma vez que os prémios associados à petroquímica não são integralmente retidos pelo mercado nacional, o que pode criar a percepção de um cresci mento que, na prática, não se traduz em ganhos efectivos para o sector. "Dá a sensação de um falso crescimento", afirmou.

O responsável acrescenta ainda que "o sector não contava com uma desaceleração tão acentuada da inflação", sublinhando que os prémios foram revistos com base numa taxa de inflação superior à que acabou por se verificar. Embora os prémios cresçam acima da inflação, a queda no número de apólices revela um sector que aumenta receita, mas com uma base muito baixa, ou seja, cresce em valor, mas permanece estreito em dimensão, já que a taxa de penetração vale menos de 1% do PIB, muito abaixo da média da SADC que gira à volta dos 3%.

Apólices afundaram 38,2%

Apesar do aumento da produção de seguros, o número total de apólices caiu 38,2%, para 701.052, o que significa que as seguradoras venderam menos 432.726 unidades de serviços de seguro.

Quase todos os ramos registaram quebras no número de apólices. No ramo Vida, as apólices passaram de 202.295 para 187.482, uma redução de 7,3%. A queda mais acentuada, contudo, verificou-se no ramo Não Vida, que tombou 44,9%, equivalente a menos 419.931 apólices.

Dentro do Não Vida, os Acidentes Pessoais foram o segmento que apresentou a maior quebra em termos absolutos. O número de apólices diminuiu de 343.168 para 132.949, correspondendo a uma redução de 210.219 apólices num único ano.

Em sentido contrário, ainda dentro do Não Vida, apenas a Petroquímica apresentou uma expansão significativa, com um crescimento de 53,4% no número de apólices. Também os ramos Aéreo, Marítimo e Transportes e Diversos registaram aumentos, na ordem dos 16,0% e 351%, respectivamente. Ainda assim, estes junto, apenas 6,9% do total de apólices emitidas.

A Petroquímica, em particular, embora seja dos ramos com menor número de apólices, é também um dos mais caros e dos que mais contribui para o crescimento dos prémios brutos. Esse cenário revela que se tratou de um crescimento dos prémios suportado por contratos de maior dimensão e maior valor unitário, e não por um alargamento da penetração dos seguros. Daí o apelo dos operadores a uma mudança de enfoque, com maior aposta na inclusão e na massificação.

Leia o artigo integral na edição 866 do Expansão, sexta-feira, dia 06 de Março de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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