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Fusão entre tecnologia e seguros pode ampliar o potencial dos microsseguros

ANGOLA INSURANCE OUTLOOK - (2019-2022)

O microsseguro é um segmento novo no mercado segurador nacional e está a ser introduzido como uma estratégia para combater a baixa penetração e aumentar a inclusão financeira. Este segmento é uma das novidades da recente lei da mediação de seguros aprovada na Assembleia Nacional.

O mercado segurador nacional, representado por 23 seguradoras, tem registado um crescimento abaixo do desejado evidenciado numa taxa de penetração que se encontra estagnada nos 0,6%, no entanto, a introdução do microsseguros é encarado como uma estratégia para se dar a volta à situação.

Apesar deste baixo crescimento do sector estar relacionado com vários factores como a quase inexistente fiscalização dos seguros obrigatórios, a pouca consciencialização dos seguros e, obviamente, o baixo crescimento da economia, que retira o seguro da lista das prioridades das famílias, mas, ainda assim, é preciso juntar a tecnologia e os seguros para desempenhar um papel transformador na economia do País, de acordo com o estudo sobre "Perspectivas de Seguros em Angola" realizado pela Ernst & Young e ARSEG.

O documento destaca que o microsseguro está a ser introduzido como uma estratégia para combater a baixa penetração e aumentar a inclusão financeira, oferecendo oportunidades de expansão e inovação no sector.

Os microsseguros são seguros com prémios (valores) menores do habitual para famílias de baixa renda. Estes seguros podem ser de vida, automóvel, de saúde ou de viagem, entre outros ramos.

Apesar do seu potencial, refere o estudo, o desenvolvimento dos microsseguros no País exige um entendimento profundo das suas dinâmicas de mercado, incluindo as necessidades dos consumidores e o ambiente regulatório. E se o sector se concentrar em soluções de seguros inclusivas e inovadoras, o País pode criar uma economia mais resiliente e diminuir as lacunas de protecção para população e aumentar a taxa de penetração.

Mário Lemos, presidente da Comissão Executiva (PCE), sublinha que a inovação nos produtos de seguros deverá estar no centro para responder às necessidades dos clientes, desenvolvendo produtos que vão para além da cobertura tradicional, incorporando soluções para os desafios contemporâneos, como a cibersegurança e a sustentabilidade. A flexibilidade na oferta será fundamental para atrair novos segmentos.

Já Armando Mota, PCE da Fidelidade, reitera que o microsseguro pode desempenhar um papel decisivo no acesso a serviços financeiros inclusivos ao oferecer soluções acessíveis e flexíveis às pessoas de baixo rendimento.

"O microsseguro é um conceito relativamente novo em Angola, cujo desenvolvimento está associado ao microcrédito. No entanto, traz consigo uma simplicidade porque os seus produtos e processos são desenhados para serem facilmente compreendidos e geridos, adapta-se à volatilidade do rendimento dos segmentos mais baixos e destina-se a um novo segmento de mercado", explica.

Os stakeholders do sector segurador, no entender do antigo PCA da ENSA, Manuel Gonçalves, citado pelo estudo, devem estar focados na procura de soluções de negócios mais integrativas e pulverizadas, como a exploração dos microsseguros, a forma como se abordam as novas gerações de clientes, com recurso a tecnologias sempre inovadoras, no crescente rigor na avaliação de risco.

Insurtech e inovação

A aposta na tecnologia por parte das seguradoras pode desbloquear o potencial dos microsseguros, pois a integração de plataformas digitais nas estratégias de distribuição de seguros deve ser o desafio numa altura em que os principais canais de venda continuam a ser os balcões.

O estudo reconhece que em Angola, onde o desenvolvimento de insurtech é ainda muito incipiente, a adopção de plataformas digitais pode ser um factor decisivo, uma vez que pode aumentar o acesso, reduzir custos e personalizar serviços para necessidades específicas, como em áreas remotas e com lacunas no serviço disponível.

Leia o artigo integral na edição 762 do Expansão, de sexta-feira, dia 09 de Fevereiro de 2024, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)