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Maus acessos e excesso de burocracia preocupam potenciais investidores

ZONA FRANCA DE DESENVOLVIMENTO DA BARRA DO DANDE

A primeira fase do ambicioso projecto, que ainda está em fase de implementação, envolve um investimento público de 600 milhões USD em infra-estruturas. Esperam-se investimentos privados de 950 milhões USD.

Empresários, investidores e especialistas em negócios estão preocupados com o que alegam ser os diversos constrangimentos que se verificam na Zona Franca de Desenvolvimento da Barra do Dande, localizada na comuna da barra do Dande, província do Bengo. Um dos constrangimentos apontados durante um encontro de apresentação e consulta pública do projecto, realizado na passada terça-feira, está relacionado com a elevada burocracia no concurso para a concepção, gestão e exploração. Segundo os empresários, esta realidade tem impacto directo na competitividade da zona franca e na sua capacidade de atracção de novos investidores.

Outro ponto levantado pelos participantes está interligado com as acessibilidades, ou seja, a zona onde está a ser implementada a zona franca dispõe apenas de uma única via de acesso, com duas faixas de rodagem, o que pode tornar ainda mais difícil o tráfego naquela zona. "Ninguém vai querer investir ali", alertou o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, tendo recomendado a construção de, pelo menos, mais duas faixas para facilitar o acesso ao local.

Também as questões relacionadas com as exportações foram bastante discutidas. Os empresários pedem mais incentivos por parte do Estado e recomendam que se faça uma análise profunda em todos os processos relacionados com a exportação de produtos acabados, especialmente quando a maior parte das matérias-primas têm que ser importadas. Há quem defenda ainda que o referido projecto industrial devia estar mais consolidado e baseado em casos de sucesso noutros países para evitar os fracassos e os erros de concepção, como aconteceu na Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEELB), por exemplo.

Aida Pereira, directora comercial da DHL, lembrou que "uma zona industrial significa movimentação, agitação, negócio, é o que não se vê na ZEELB". Os investidores recomendaram, por outro lado, que se criem melhores condições administrativas na Zona Franca de Desenvolvimento da Barra do Dande, sem esquecer as questões ambientais e os seus impactos no contexto onde o projecto está inserido.

600 milhões USD em infra-estruturas

A primeira fase da Zona Franca de Desenvolvimento da Barra do Dande, ainda em curso, envolve um investimento de 600 milhões USD em infra-estruturas. Esperam-se investimentos privados de 950 milhões USD e estima-se a criação de 21 mil postos de trabalho, segundo avançou o secretário de Estado para as áreas da Aviação Civil, Marítima e Portuária, Emílio Londa. De acordo com o governante, a primeira fase vai ocupar 860 hectares, cerca de 16% da área total da concessão, e poderá representar entre 1,5% a 2% do PIB nos próximos 10 anos.

Para Emílio Londa, a criação dos centros de Inovação, Formação Técnico-Profissional e Desenvolvimento Tecnológico são essenciais para o sucesso do projecto. Entre as prioridades da Zona Franca de Desenvolvimento da Barra do Dande constam a armazenagem e processamento alimentar, metalomecânica, montagem e peças automóveis, painéis solares e energias alternativas.

Actualmente decorre o concurso público por prévia qualificação, que teve início em Julho e termina a 15 de Novembro, para a subconcessão de quatro componentes: terminal portuário, reserva nacional de cereais, refinaria de óleo alimentar e parque de energias renováveis. Embora não tenha avançado quantas propostas o Governo já recebeu para a gestão, execução e exploração das referidas componentes, o presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande, Joaquim Piedade, avançou durante o encontro que "já foram recebidas manifestações de interesse de investidores nacionais e estrangeiros para a concessão dos projectos, cuja primeira fase deverá estar concluída em 2027".

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