"Baixar apenas os preços para conquistar mais clientes só leva à falência das seguradoras"
Com uma experiência de mais de 30 anos no sector segurador e uma sólida vivência profissional em Portugal, Angola e Moçambique, Armando Mota analisa os entraves, os desafios e as oportunidades do mercado. O CEO da STAS aborda ainda as metas da sua equipa para transformar a companhia numa referência de sucesso no País.
Tem uma trajectória relacionada com o crescimento do mercado segurador angolano, desde a co-fundação da Universal Seguros (hoje Fidelidade) até à recente liderança da STAS Seguros. Olhando para trás, qual foi a maior lição de gestão que o mercado lhe ensinou?
O que retenho deste percurso profissional, e aquilo que considero mais importante, foi a aprendizagem proporcionada pelo contacto com as pessoas. Esta jornada permitiu-me conhecer diversas realidades e opiniões, e essa constante troca de experiências fez-me crescer, tanto a nível pessoal como profissional. Quando olho para trás, percebo que o verdadeiro valor esteve nos relacionamentos que estabeleci e no conhecimento que me foi possível absorver ao longo destes anos.
O que o moldou como o líder que é hoje?
Acima de tudo, foi perceber o quanto as pessoas são importantes. O nosso negócio, no sector financeiro, é feito essencialmente por pessoas. Elas são o factor decisivo. É fundamental compreender que a generalidade dos colaboradores tem um forte compromisso e está disponível para se empenhar e dar o seu melhor. Quando isso acontece, criam-se equipas, consolida-se a cultura e constroem-se empresas de sucesso. É muito importante termos tecnologia e capital para investir, mas, na equação da vida e do trabalho, a ausência de talento impede que se alcance o sucesso.
Nos últimos anos, passou por instituições diferentes dentro do sector. Como é que essas mudanças alteraram a sua visão sobre a agilidade que uma seguradora precisa de ter no país?
Uma das conclusões a que cheguei depois dos anos que passei em Angola, Portugal e Moçambique, é que as empresas têm de ser, acima de tudo, ágeis, flexíveis e com capacidade de execução. Muitas vezes, essas qualidades perdem-se no meio dos projectos. Dá-se demasiada atenção aos meios e perde-se de vista o objectivo final.
Falta auto-avaliação às empresas para não perderem o foco?
As empresas tendem a perder-se ao longo do percurso porque, a determinada altura, passam a viver para os meios, para si próprias, e não para aquilo a que se destinam. As pessoas começam a preocupar-se com projectos que não são o foco nem o essencial. Surgem mais pessoas, mais processos de controlo, decisões excessivamente centralizadas, demasiados níveis hierárquicos, muitos responsáveis e muitos directores. As empresas crescem e acabam por perder o foco e a agilidade. São raras aquelas que conseguem crescer e, ao mesmo tempo, manter essa capacidade de resposta.










