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Grande Entrevista

"Um dos maiores activos de qualquer economia hoje são as empresas tecnológicas"

WILLIAN OLIVEIRA | DIRECTOR DA TIS

Willian Oliveira reconhece o potencial das tecnologias para o desenvolvimento das organizações e da economia, mas alerta para a necessidade de capacitação das pessoas e os desafios que o mercado angolano ainda apresenta à expansão dos serviços.

A transformação tecnológica está a acontecer a um ritmo acelerado com a massificação da Inteligência Artificial e não só. Que avaliação faz do mercado angolano de tecnologia?

O mercado de tecnologia em Angola evoluiu muito. Houve um crescimento exponencial de know-how, que para a tecnologia é muito importante. E também evoluiu em infraestruturas. É verdade que ainda existem alguns desafios. Mas hoje temos um mercado mais maduro, com diferentes intervenientes, como nós, que já estão a procurar outros mercados. Levar um pouco da experiência para outros países aqui da nossa região, e tentar aprender também com esse processo, que não é fácil. Um dos maiores activos de qualquer economia hoje, na era da informação, são as empresas tecnológicas.

Porquê Não é muito difícil perceber isso.

Se olharmos para a lista dos homens mais ricos do mundo, vemos que são de tecnologia. As empresas mais valiosas do mundo, são de tecnologia. Por isso, precisamos construir um ecossistema que permita que nasçam essas empresas, essas pessoas, também no nosso mercado.

Temos conseguido isso?

Talvez não na velocidade que deveríamos, acho que deveríamos ser um pouco mais ágeis e mais rápidos. Acreditamos que estão a ser dados passos, mas precisamos de uma velocidade mais adequada à realidade do mundo de hoje. Por exemplo, a Inteligência Artificial (IA), é o assunto do momento. Precisamos que o nosso ensino superior, escolas técnicas, comecem a formar os jovens nesse tipo de tecnologia, e não podemos esperar. À semelhança de outros países do mundo, temos de entender como a IA pode contribuir para a economia. E podemos começar pelo nosso continente, porque temos condições.

Diz que o mundo está a tentar perceber como é que a IA pode contribuir para a economia da melhor forma. Na nossa realidade, quais são as possíveis contribuições?

Hoje a IA vende-se como uma ferramenta de melhoria substancial da produtividade. Como uma ferramenta de melhoria substancial de resposta à necessidade de clientes, parceiros e fornecedores. Muitas empresas, vêem isso como uma possibilidade de melhorar o seu negócio, mas não entendem onde. E o problema, às vezes, é muito simples. A IA é sobre dados, é sobre informação. E quando as empresas não têm as suas informações organizadas, fica difícil a inteligência artificial apoiar ou ajudar. A IA não é chat de resposta, isso é apenas uma ponta do iceberg de tudo que ela é. As empresas hoje ainda percebem a IA como algo mais simples do que é realmente e muitas vezes não entendem que, para se ter inteligência artificial como um activo estratégico, precisam ter informação organizada. A IA traz a hiper-automação nos processos.

Essa hiper-automação é confiável?

Ela pode e deve ser confiável. Mas a IA não substitui a tomada de decisão humana, ela ajuda na tomada de decisão. O problema não é usar a IA, o problema é usar a IA e não criticar a informação que ela constrói. E isso acontece muito nas universidades e até nas grandes empresas. Isso é um erro fatal.

A IA substituirá o homem?

Substituir, não. Complementará. Vai acontecer uma mudança de paradigma que acontece sempre quando temos essas revoluções tecnológicas, onde nós, seres humanos, vamos ter de encontrar outros lugares para encaixar aquilo em que somos bons. E haverá uma mudança de paradigma. Determinadas profissões vão mudar. Esta é a minha visão, mas existem profissionais com visões diferentes....

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