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Angola sobe 17 lugares em ranking sobre investigação científica

AVALIADOS PELA AD SCIENTIFIC INDEX

O fraco investimento no ensino e investigação continuam a atirar o País para os últimos lugares dos rankings sobre produção de conhecimento. Apesar da posição que ocupa, os números mostram uma evolução, reconhecendo trabalho feito nos últimos anos.

Angola subiu 17 lugares no ranking internacional sobre investigação científica, ao sair da posição 182 em 2025 para 165 em 2026, numa avaliação da plataforma AD Scientific Index, que incide sobre mais de 24 mil instituições de ensino e investigação de vários países, englobando mais de 2 milhões de cientistas. No continente, o País sai da posição 42 para a posição 37, num total de 54 países avaliados, conforme constatou o Expansão.

A AD Scientific Index (ou Alper-Doger Scientific Index) é um Sistema de classificação e análise científica, fundado em 2021 pelos investigadores turcos Alper Tolga çolak e Murat Doger. O ranking avalia dados a partir de perfis do Google Scholar, acessíveis ao público, e processados mediante procedimentos de avaliação de dados quantitativos de produção científica e de impacto de citações de desempenho mensuráveis e verificáveis ao nível do investigador/instituição.

Apesar de subir 17 lugares no ranking mundial, Angola está na cauda a nível mundial e, aos poucos, vai subindo posições no continente. Ao todo, o ranking registou um aumento de 24 instituições de ensino e investigação avaliadas no país, passando de 23 no ano passado para 47. Destas, destaca-se a Universidade Católica de Angola (lugar 16.094 do ranking mundial e 922 do continente), o Centro de Investigação e Desenvolvimento da Sonangol (lugar 16.447 do ranking e 943 no continente), a Universidade Agostinho Neto (17.310 no mundo e 992 em África), a Clínica Girassol (17.479 no mundo e 1.006 no continente).

As universidades Rainha Njinga a Mbande (18.691 no mundo e 1.096 no continente) e Katyavala Bwila (18.852 no mundo e 1.106 em África) fecham o top 5 das instituições angolanas mais bem classificadas neste ranking internacional. Foram também classificados os investigadores nacionais, num total de 263, numa lista liderada por António Chivanga Barros, investigador do Centro de Investigação e Desenvolvimento da Sonangol, que ocupa o lugar 631.403 no ranking mundial, seguido de Tommaso De Pippo, da Universidade Católica, no lugar 649.989 e Valdano Manuel, médico da Clínica Girassol, no lugar 824.391.

António Domingos Alberto, professor da Universidade Rainha Njinga Mbande, no lugar 842.383, e Alberto Ferreira, actual ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, no lugar 845.210 fecham o top 5 dos investigadores angolanos.

Na prática, esta subida no ranking mundial, apesar de estar distante dos melhores lugares, mostra que o País procura estar mais activo no cenário da produção de conhecimento científico. Traduz-se também no aumento quantitativo e qualitativo das instituições e de investigadores nacionais que produzem conhecimento.

Investigação no fim das prioridades

A investigação científica em Angola acaba, muitas vezes, por estar no fim da lista de prioridades do Governo, das empresas e universidades. Muitas vezes por falta de dinheiro e outras porque falta de vontade política para apostar na investigação como um objectivo estratégico que oriente as políticas do País, referem analistas.

Outro indicador que coloca o País nos últimos lugares dos rankings é o facto de haver investigadores nacionais que produzem trabalhos científicos que ficam registados em nome de instituições e países onde estudaram e produziram a pesquisa. Não fica de parte o número de artigos escritos e publicados por angolanos em revistas de prestígio internacionais, factores que influenciam na projecção individual de investigadores e do País.

No entanto, os elevados valores cobrados para a publicação de artigos numa revista internacional também constituem um obstáculo e um entrave ao avanço. Só para ter uma ideia, são cobrados em média 2 mil USD pela publicação de um artigo científico numa revista de prestígio internacional. O preço varia dependendo da política da revista e do tipo de acesso, que pode ser aberto (onde se tem acesso a partir de inscrição), fechado (com acesso pago) e gratuito (acesso aberto a todos). Há revistas que chegam a cobrar até 11 mil USD, como a Springer Nature.

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