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Ouro é activo de "elevado risco", alerta FMI aos bancos centrais

PROGRAMAS DE COMPRA DE OURO DEVEM SER GERIDOS COM CAUTELA, SEGUNDO RELATÓRIO DE PERITOS

A participação do ouro nos balanços dos bancos centrais passou de 10% das reservas em Janeiro de 2019 para mais de 22% em Agosto de 2025. Mas a aposta no ouro, segundo o FMI, não é segura, dada a "elevada volatilidade" e a "baixa liquidez". Programas de compra de ouro têm risco operacional e não devem ser geridos por bancos centrais.

Com a sua crescente valorização, o ouro ressurgiu como "componente proeminente das reservas dos bancos centrais" e a sua quota aumentou acentuadamente nos últimos anos. Mas a "elevada volatilidade, as propriedades de diversificação limitadas e contingentes e as características de baixa liquidez restringem a sua eficácia como activo central de reserva", alerta o Fundo Monetário Internacional, numa nota divulgada em Julho. No documento, assinado por Istvan Mak e Etienne Vaccaro- Grange, o FMI aconselha os bancos centrais a deixarem de encarar o ouro como uma aposta segura.

Devem, antes, classificá-lo como um activo de "alto risco", devido à sua volatilidade, "duas vezes superior à do activo mais volátil após a pandemia da Covid-19 (títulos dos EUA)", defendem os peritos do fundo, advertindo os bancos centrais para os riscos dos programas de compra de ouro domésticos.

O Gana e o Uganda são dois países em África que apostaram em programas de compra de ouro como estratégia para reduzirem a sua dependência de activos de reservas tradicionais, como o dólar e o euro. No caso do Uganda, o banco central lançou em Abril um programa de compra de ouro para reforçar as suas reservas cambiais, no quadro da reformulação da sua estratégia monetária, por considerar que o ouro está menos exposto a choques externos do que as moedas fiduciárias.

Já o Gana reforçou, em Maio, o seu programa de compra de ouro às grandes minas, lançado em 2021, aumentando as aquisições de 20% para 30%. Esta estratégia, no entanto, segundo os técnicos do FMI, tem riscos e desvantagens operacionais no caso de necessidade de liquidez.

"Embora o ouro não apresente risco de crédito e possa servir como protecção contra sanções", ele é "altamente volátil e possui propriedades de cobertura, porto seguro e diversificação que dependem tanto do regime como do choque". Por isso, é necessário "avaliar o ouro não isoladamente, mas como parte de uma estratégia de carteira mais ampla, alinhada com os objectivos de política monetária e com a capacidade de assumir riscos do banco central".

As compras domésticas de ouro - especialmente de ouro não monetário - "devem, em geral, ser evitadas ou atribuídas a outras entidades públicas mais bem equipadas para gerir os riscos comerciais e fiscais", defendem os peritos do FMI.

Quanto ouro deve um banco central manter?

Segundo Istvan Mak, especialista sénior do sector financeiro, e Etienne Vaccaro-Grange, perito em política monetária, a questão central é "quanto ouro deve um banco central manter?" Para as economias produtoras do mineral, como é o caso do Gana, "a acumulação excessiva pode enfraquecer o papel de auto- -protecção das reservas, uma vez que choques adversos no preço do ouro podem afectar simultaneamente as receitas de exportação e a valorização das reservas".

Por conseguinte, determinar a parcela adequada de ouro "exige uma avaliação holística e baseada no risco das vulnerabilidades externas, da estrutura económica e dos marcos políticos", defendem, salientando que as decisões sobre a "acumulação de ouro, incluindo através de Planos de Acumulação de Ouro (PAO), devem estar ancoradas na autoprotecção e em análises políticas sólidas, em vez de conveniência operacional ou considerações de curto prazo".

No documento de 27 páginas, que visa fornecer "uma estrutura para medir o risco de mercado relacionado com o ouro e apoiar decisões prudentes de gestão de reservas num ambiente de elevada incerteza, risco geopolítico e fragmentação financeira", os técnicos do FMI recordam que "o ouro actua de forma mais consistente como cobertura contra o risco de taxa de juro e como cobertura parcial contra a depreciação do dólar norte-americano, podendo também proporcionar benefícios...

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