Falta de dinheiro deixa 8 em cada 10 obras paralisadas no País
O baixo poder de compra das famílias, aliado às dificuldades de acesso ao crédito tem estado na origem da paralisação de inúmeras obras, com a província de Benguela a liderar a taxa de obras estagnadas a nível nacional no segundo trimestre do ano.
No segundo trimestre deste ano o Instituto Nacional de Estatística (INE) visitou 5.691 obras em todo o País, das quais 78,1% estavam paralisadas, afetando tanto famílias como empresas. Contas feitas 8 em cada 10 obras encontravam-se paralisadas, conforme indicam os dados do Inquérito de Acompanhamento dos Edifícios em Construção (IAEC). Este inquérito é uma pesquisa trimestral que monitoriza o estado físico das obras e classifica como em "construção" ou "paralisadas" para avaliar o avanço, tipo de construtor e área bruta de construção.
O objectivo é avaliar a evolução da actividade da construção, identificando o ritmo de execução, funcionando como barómetro para entender o dinamismo do sector imobiliário e da construção civil no País. Do número de obras que foram visitadas pelo Instituto apenas 1.241 (22%) estavam em processo de construção, números bastante preocupantes na medida em que 95% das obras inspecionadas tinham como destino a habitação, sobretudo de construção própria. Isto num País que tem um défice habitacional na ordem dos 3,2 milhões de habitações.
Apesar de a percentagem de obras paralisadas ter diminuído 2 pontos percentuais (pp) face a Dezembro do ano passado, o número de obras estagnadas é ainda assustador e especialistas apontam alguns factores económicos e estruturais como alta de preços dos materiais de construção, perda de poder de compra das famílias, além das restrições na obtenção de financiamento bancário para dar continuidade às construções.
A província de Benguela é o caso mais alarmante de obras paralisadas com 99,6% das infraestruturas visitas pelo Instituto paralisadas, ou seja, das 1.041 obras inspecionadas apenas 4 estavam em construção, seguindo-se as províncias do Cubango, com (98,7%), do Cubango, com (96,2%) e do Moxico, com 95,9% das...











