Mandioca e milho valem 89% da produção agrícola nacional
A agricultura angolana continua fortemente concentrada em poucas culturas de base alimentar, com destaque esmagador para a mandioca e o milho, que representam juntos quase 89% de toda a produção agrícola nacional em volume. Os dados da campanha 2024/2025 indicam uma produção total de 21,22 milhões de toneladas, num universo de mais de 5 milhões de hectares colhidos, revelando simultaneamente a importância social do sector e a sua excessiva dependência de culturas tradicionais de subsistência.
As culturas de raízes e tubérculos lideram de forma absoluta a produção nacional, com 15,05 milhões de toneladas, equivalentes a cerca de 70,9% de toda a produção agrícola do País. Dentro deste grupo, a mandioca assume um peso quase monopolista, ao atingir 14,52 milhões de toneladas, o que representa sozinha 68,4% de toda a produção agrícola nacional. Este domínio mostra a importância da mandioca na segurança alimentar das famílias, sobretudo nas zonas rurais, mas também evidencia a dificuldade do País em diversificar a sua agricultura.
O milho surge como a segunda maior cultura nacional, com 4,35 milhões de toneladas, representando aproximadamente 20,5% do total produzido no País. Os cereais, no conjunto, somam 4,95 milhões de toneladas, ou seja, 23,3% da produção agrícola nacional. Apesar disso, continua a existir forte dependência das importações de cereais, especialmente trigo e arroz. Entre os restantes cereais, o massango atingiu 356,8 mil toneladas e a massambala 189,3 mil toneladas, culturas particularmente relevantes nas regiões mais secas do interior do País.
Já o arroz produziu apenas 40,5 mil toneladas e o trigo ficou limitado a 18,5 mil toneladas, números ainda muito reduzidos para um País que continua a gastar centenas de milhões de dólares anuais na importação destes produtos.
As leguminosas e oleaginosas totalizaram 626,5 mil toneladas, correspondendo a apenas 3% da produção agrícola nacional. O feijão lidera este segmento com 340,3 mil toneladas, seguido da ginguba (amendoim), com 162,4 mil toneladas, e da soja, que já alcança 115,9 mil toneladas. A soja, apesar de ainda ter um peso reduzido no total nacional, é uma das culturas que mais cresce em Angola, impulsionada pela procura da indústria alimentar e da produção de rações.
No segmento hortícola, a produção ficou em 388,3 mil toneladas, apenas 1,8% do total nacional. O tomate destacou-se com 131,6 mil toneladas, seguido das "outras hortícolas", com 193 mil toneladas. Ainda assim, os nú meros mostram que continuam longe da autossuficiência em hortícolas, sobretudo nos perío dos de seca ou de menor produção, altura em que os preços disparam nos mercados urbanos.
Nas culturas permanentes, a banana mantém-se como a principal fruta produzida em Angola, com 83,8 mil toneladas, seguida dos citrinos (32,7 mil toneladas), do ananás (29,7 mil toneladas) e das mangas (26,9 mil toneladas). O café, produto historicamente associado à economia angolana antes da independência, produziu apenas 8,4 mil toneladas, um reflexo da profunda quebra estrutural do sector cafeeiro nas últimas décadas.











