Oito em cada dez obras estavam paralisadas no final do ano passado
Mais de 90% das obras em Angola são projectos de auto-construção, com pouco ou nenhum planeamento financeiro, ou seja, em que as obras não possuem orçamento e o "proprietário constrói até onde dá". Preços dos materiais de construção continuam em alta e interrompem os projectos, e põe em suspenso o sonho da casa própria das famílias angolanas.
Oitenta por cento das obras do País estavam paralisadas no final de 2025, tratando-se do pior registo desde 2022, de acordo com cálculos do Expansão com base no boletim trimestral do Inquérito Trimestral de Avanço e Acompanhamento dos Edifícios em Processo de Construção publica do esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Este inquérito é uma pesquisa trimestral que monitoriza o estado físico das obras e classifica edifícios como "em construção" ou "paralisados" para avaliar o avanço, tipo de construtor e área bruta de construção. O objectivo é avaliar a evolução da actividade da construção, identificando o ritmo de execução, funcionando como um barómetro para entender o dinamismo do sector imobiliário e da construção civil.
No final de 2025, as equipas do INE visitaram 4.579 obras em todo o país, tendo identificado que apenas 909 se encontravam em construção e 3.670 estavam paralisadas. Contas feitas, em Dezembro, 80,1% das obras visitadas pelo INE estavam paradas, tratando-se da percentagem mais elevada dos últimos quatro anos (ver gráfico), apenas superada pelos 94,6% de 2021 e dos 89,8% de 2020, o primeiro ano em que o INE começou a publicar este inquérito.
Os seis anos deste inquérito têm sido marcados pela inconsistência da amostra, ou seja, das obras onde o INE faz a recolha de informação. No IV trimestre de 2020, a amostra foi de 10.102 obras visitadas (9.068 paralisadas e 1.034 em construção), 15.975 em 2021 (15.114 paralisadas e 861 em construção, 3.804 em 2022 (2.765 paralisadas e 1.039 a "andar"), 3.523 em 2023 (2.559 paradas e 964 em construção).
No IV trimestre de 2024 foi o período em que menos obras foram visitadas, um total de 2.847 (2.242 paralisadas e 605 em construção), número que aumentou para 4.579 no mesmo período do ano passado (3.670 paralisadas e 909 em cons trução. A ideia que passa é que quanto mais obras fazem parte da amostra, maior é a percentagem de obras paralisadas. No ano da Covid (2020) acaba por ser expectável uma percentagem tão elevada de obras paralisadas, até porque a economia esteve praticamente em suspenso e o poder de compra das famílias foi fortemente afectado pela desvalorização da moeda nacional em 26,5% face ao dólar...











