Gás já pesa 11% nas exportações angolanas e vale quase o dobro dos diamantes
Apesar do aumento da produção de gás, o crescimento ocorre num contexto de queda da produção petrolífera e é explicado pela entrada em operação de novas infraestruturas de aproveitamento como a linha de transferência de gás residual do Sanha. O ano de 2025 fica marcado com o maior volume de exportação de gás de sempre e o terceiro ano consecutivo em que as receitas do gás superam as do sector diamantífero, consolidando-se como o segundo principal produto de exportação do País.
As receitas brutas com exportações de gás angolano cresceram 21% para 3.248,2 milhões USD em 2025, um aumento de 553,1 milhões USD, de acordo com cálculos do Expansão com base nas estatísticas do Banco Nacional de Angola (BNA). Contas feitas, o gás representa já 11% do total das exportações do País, contabilizadas em 30.555,5 milhões USD. Este desempenho traduz um aumento de quatro pontos percentuais face ao peso de 7% registado em 2024.
A evolução foi impulsionada sobretudo pelo aumento das quantidades exportadas, já que o preço médio de venda recuou. Só para se ter uma ideia, entre Janeiro e Dezembro de 2025, as operadoras do sector do oil & gas exportaram cerca de 52.143,0 mil barris de óleo equivalente (BOE) de gás, um crescimento de 23% em relação aos 42.372,8 mil BOE exportados no ano anterior.
Trata-se de um acréscimo de 9.770,2 mil BOE, num contexto em que o preço médio do gás caiu para 62,3 dólares por BOE (menos 1,3 USD). Num contexto em que vários países têm procurado alternativas ao gás russo, este foi o maior volume de gás exportado por Angola desde que há registos. Apesar disso, o pico das receitas continua a ser 2022, quando as exportações renderam 6.471,5 milhões USD. Na altura, o preço médio atingiu 163,6 USD por cada BOE, mais 101,3 USD do que em 2025, compensando um volume significativamente inferior de 39.565,8 mil BOE.
Vale lembrar que 2022 foi um ano atípico para o sector, marcado pelo choque energético global provocado pela invasão da Ucrânia pela Rússia, que elevou os preços do petróleo e do gás a máximos históricos, muito por culpa das sanções internacionais ao país de Putin, que obrigou vários países europeus a procurar alternativas noutras latitudes, incluindo angola.
Este ano o cenário parece repetir-se, com a tensão no Irão a impulsionar novamente os preços do petróleo e do gás, já que cerca de 20% do gás comercializado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz, que está temporariamente fechado à circulação. Os números de 2025 demonstram que foi o terceiro ano consecutivo em que as receitas brutas com a exportação de gás superam as do sector diamantífero, consolidando o gás como o segundo principal produto de exportação do País, apenas atrás do petróleo, que vale 80% das exportações.
No entanto, importa realçar que as receitas com diamantes também cresceram 15%, ao passar de...











