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Angola

Presidência desafia as empresas a investir na valorização do capital humano

ANGOLA HUMAN CAPITAL AT A GLANCE

A Presidência da República, através do Gabinete de Quadros, está a desafiar o sector empresarial a assumir um papel mais activo no financiamento e desenvolvimento do capital humano. O Programa de Acção do Capital Humano 2023-2037 surge como plataforma de cooperação, com oportunidades de investimento concretas e contrapartidas para as empresas.

Com uma população de 36,6 milhões de pessoas, das quais 76% têm menos de 35 anos e metade não ultrapassa os 18 anos, Angola enfrenta um dos maiores desafios demográficos do continente: transformar juventude em produtividade. Mas os dados mostram que esse potencial está longe de ser aproveitado. Cerca de 4,5 milhões de crianças e jovens entre os 5 e os 18 anos estão fora do sistema de ensino, o equivalente a 34% dessa faixa etária . E mesmo entre os adultos, apenas 5% completaram o ensino superior, cerca de 650 mil licenciados, num País que ambiciona diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.

É neste contexto que a Presidência, através do Gabinete de Quadros, lança um apelo claro às empresas: investir no capital humano deixou de ser apenas uma questão de responsabilidade social para passar a ser uma necessidade económica estratégica. O Programa de Acção do Capital Humano (ACP) 2023-2037 propõe um modelo de parceria em que o Estado define prioridades e enquadra mento, enquanto o sector privado entra com financiamento, know--how e capacidade de execução. As oportunidades de investimento são amplas e cobrem praticamente toda a cadeia de formação. Desde a construção e modernização de infraestruturas educativas, incluindo escolas e centros de formação profissional, até à aposta na digitalização do ensino, com plataformas EdTech e ensino à distância. Há também espaço para investimentos em inclusão - como transporte escolar, alimentação e habitação estudantil - e na produção de conteúdos educativos, desde manuais a recursos multimédia. As empresas podem aumentar exponencialmente os seus ganhos de produtividade e de eficiência se tiverem um quadro de colaboradores com conhecimentos e valores profissionais mais elevados. Por isso o desafio da Presidência é que invistam neste Programa, que estando estruturado e com metas bem definidas, permitirá que a médio prazo se possa resolver uma das suas maiores debilidades - a qualidade do seu capital humano as sente em cidadãos nacionais.

Passos a ser dados

Mas o eixo mais relevante para o tecido empresarial está na formação profissional e na ligação entre academia e mercado de trabalho. O programa prevê a expansão e modernização da formação técnico-profissional, bem como o reforço da investigação nas universidades, numa lógica de maior alinhamento com as necessidades reais da economia. Trata-se, no fundo, de tentar corrigir um dos maiores desequilíbrios estruturais do País: a produção de diplomados sem competências ajustadas às exigências das empresas. Por exemplo, a formação adequada de professores e formadores é fundamental para a valorização do capital humano, e o primeiro passo para garantir o acesso a uma educação de qualidade. Neste sentido o ACP já tem a correr três projectos, um primeiro para vocacionado para o doutoramento e mestrado de professores, um segundo para a formação de investigadores nas universidades e um terceiro para a formação de gestores escolares.

A cooperação proposta assenta num modelo flexível. Não há transferência directa de fundos para o Estado, sendo os apoios canalizados para projectos concretos, desenhados em função das necessidades das empresas e das prioridades públicas. Em troca, as empresas ganham participação em programas estruturados, visibilidade institucional e enquadramento das suas iniciativas de responsabilidade social, incluindo a associação da sua marca a projectos do Gabinete de Quadros .

Reformas

Ainda assim, o sucesso desta estratégia depende de reformas que vão muito além da mobilização de capital privado. O próprio dia gnóstico apresentado deixa claro que o problema começa no ensino de base. Sem professores devidamente preparados, currículos adaptados e infra-estruturas adequadas, qualquer esforço a montante corre o risco de ser insuficiente. A qualidade do ensino primário e secundário continua a ser o principal gargalo do sistema.

A qualidade das infraestruturas, o funcionamento adequado dos estabelecimentos de ensino, a implantação do Programa Nacional de Alimentação Escolar e Cantinas Sustentáveis, garantindo a merenda escolar a todos os estudantes, e o Programa Transporte Escolar Acessível e Sustentável, contemplados neste conjunto de oportunidades de investimento, são decisivos para a melhoria do aproveitamento (e combate ao abandono escolar) no ensino primário e secundário.

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