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O processo de liquidação da Global Seguros deverá estar concluído dentro de 6 meses

COMEÇOU EM FEVEREIRO

A seguradora, que já foi das mais cotadas no mercado, passou seis anos em falência técnica e não conseguiu apresentar um plano de recuperação e financiamento, o que levou ao encerramento da companhia pelo regulador.

O processo de liquidação da Global Seguros, que teve início logo após a revogação da licença para o exercício de actividade seguradora, no mês de Fevereiro, pode estar concluído dentro dos próximos seis meses, soube o Expan são de fonte ligada à comissão de liquidação nomeada pela Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG).

O processo obedece a várias etapas e a lei não estipula prazos. Nesta altura, por exemplo, decorre o processo de transferência de apólices para as demais seguradoras do mercado por forma a garantir a continuidade dos contratos e a salvaguarda dos direitos dos segurados. Está igualmente em curso a inventariação dos acti vos da companhia, que serão utilizados para fechar os créditos que a seguradora tem no mercado.

Ainda no âmbito deste processo de dissolução da Global Seguros, dentro dos próximos dias será publicada a lista de credores da companhia no jornal de maior circulação do País, conforme o roteiro legal de dissolução e liquidação. Recorde-se que depois é dado um prazo de duas semanas para que outros credo res que não estejam nesta lista possam reclamar.

"Trata-se de um processo complexo e temos de olhá-lo de forma transversal, há a necessidade de averiguarmos se há activos para alienar, e além disso, pode haver, por exemplo, propriedades que podem não estar em nome da seguradora", afirma a fonte do Expansão, notando que se tudo corre conforme o previsto dentro de seis meses será possível concluir todo o processo de dissolução da seguradora. Seis anos em maré baixa Desde 2019 que a Global Seguros vinha apresentado inúmeras irregularidades ao nível das garantias financeiras, de governance, reporte de informação e outros aspectos operacionais, o que levou a ARSEG a exigir que a companhia apresentasse planos de recuperação e financiamento, com vista a alterar o quadro deficitário, o que não aconteceu integralmente, agudizando ainda mais a situação da empresa.

A seguradora tinha as margens de solvência e fundo de garantia no vermelho e um rácio de cobertura das provisões técnicas a rondar os 50%, o que significava que os activos existentes na altura cobriam apenas metade das res ponsabilidades assumidas, de monstrando que os capitais pró prios eram insuficientes para as segurar a continuidade da activi dade. Com a entrada em vigor da nova legislação da actividade se guradora, este é um item de cum primento obrigatório.

Em 2025, face aos prejuízos acumulados e ao agravamento do endividamento, a necessidade adicional de capitalização da Glo bal Seguros passou de 1,5 mil mi lhões Kz para mais de 8 mil mi lhões Kz, o que demonstrou o agravamento contínuo dos rácios de solvência e liquidez da segura dora ao longo do tempo. Sem qualquer sinal visível de recupe ração e saneamento e face aos graves riscos que a companhia apresentava para o mercado, o regulador optou pela dissolução da empresa em Fevereiro deste ano, culminando com um ciclo de seis anos em falência técnica.

Para alguns especialistas esta decisão foi tomada tarde demais atendendo à realidade da empresa, defendendo que deveria ter acontecido logo no início do ano passado. Desde 2020, já foram revogadas licenças a 9 empresas seguradoras - Global, Internacional Seguros, Triunfal, BOWNS, Providência Royal, Garantia, Master, Mandume e Glinn Seguros

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