"O grande desafio de Angola é transformar a matéria-prima em produto acabado"
Assif Hassanaly defende o desenvolvimento e valorização da indústria de mobiliário e acredita que é possível concorrer com a importação, mas para isso é preciso que a sociedade acredite na produção nacional, que precisa ser protegida e incentivada, para reforçar a sua contribuição para o crescimento da economia.
É empresário e está ligado ao sector industrial, com produção de mobiliário. Como olha para a indústria nacional?
Com muito optimismo. Penso que é do conhecimento de todos, que o nosso caminho neste momento é a transformação e a indústria. E o grande desafio de Angola é transformar a matéria-prima em produto acabado, para que tenhamos uma economia vencedora.
Estamos a falar de uma indústria específica. Têm tido apoios institucionais, por exemplo, fiscais ou outros?
Conseguimos uma linha de financiamento, ao abrigo do Aviso 10, do BNA. Esta linha é para financiar a produção nacional, reforçar a capacidade produtiva e diversificar a economia. O financiamento aqui é algo complexo, é algo que é caro, mas é fundamental conseguir esse acesso ao financiamento. E graças ao financiamento, conseguimos equipar e importar maquinaria de ponta, de última geração, para oferecer serviço e sermos rápidos nas entregas.
Como foi a vossa experiência na relação com a banca?
É exigente. Mas penso que é assim que tem de ser. Ou seja, a banca não facilita, e está correcto. A banca é rigorosa, pede garantias, pede business plan, que estuda e valida. Claro, devia-se facilitar mais. Claro, que devia-se facilitar mais o crédito, mas a banca também tem as suas regras.
No business plan é que muitas empresas ficam pelo caminho, com a alegação de falta de qualidade. Tiveram assessoria para fazer o vosso projecto?
Não, foi feito por mim. Já estou nesta área há 35 anos. Domino consideravelmente bem esta área de negócio.
O financiamento ao abrigo do Aviso 10 do BNA é o caminho para o desenvolvimento da produção nacional?
A indústria em Angola precisa de investimento privado. Precisa de acreditar no País, e diversificar fortemente, transformando matéria-prima em produtos acabados. E o mercado em si precisa de agregar uma cadeia de valor consistente, porque sem essa cadeia de valor consistente não vamos conseguir reduzir consideravelmente as importações.











