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Angola

Verba dos partidos para a campanha eleitoral baixou 57% para 444 milhões Kz

DINHEIRO PARA A CAMPANHA ELEITORAL

Em véspera de campanha eleitoral em Angola, os partidos concorrentes às eleições de agosto reclamam das verbas que o governo disponibilizou para a campanha eleitoral. Como alternativa de financiamento olham para os pagamentos das quotas mensais dos militantes.

A verba que os partidos políticos vão receber para suportar a campanha eleitoral deste ano regista uma descida acentuada de 57%, se comparado aos 1.040 milhões Kz que receberam na campanha para as eleições gerais de 2017. Ouvidos pelo Expansão, os partidos dizem que 444 milhões Kz (mais de 1 milhão USD) é um valor "insignificante" para realizar uma campanha eleitoral que exige gastos avultados, afirmando que esta verba não chega para suportar despesas como produção do material de propaganda, transporte, logística para mais de 70 mil delegados, entre outras despesas.

O presidente do PRS, Benedito Daniel, considera que com este montante não se compete às eleições, tendo realçado que "é estratégia do partido no poder não ter concorrentes, querem que os partidos vão apenas para participar". Daniel sublinhou que se tivermos em conta a "depreciação da moeda" veremos "que este valor é muito irrisório". "E com esta atitude o partido no poder só compromete a democracia", diz.

Além dos 1.040 milhões Kz entregues a cada um dos seis partidos que concorreram às eleições de 2017, com base na lei do financiamento dos partidos políticos, todos tiveram direito a mais uma verba adicional de 250 milhões Kz. Mesmo com este valor que os partidos receberam no pleito passado, "ainda assim a CASA- -CE ficou com uma dívida que ronda os 5 milhões USD que continua a pagar até hoje", revela Osvaldo Tembo, secretário-geral adjunto daquela coligação, que considera que o valor disponibilizado está aquém da materialização das necessidades dos concorrentes. "Isso é um indicador evidente de que talvez o Presidente da República não tem noção dos custos avultados em torno de uma campanha eleitoral ou então é mesmo uma forma de dificultar ao máximo os outros concorrentes", diz Tembo.

Em maio, a UNITA, maior partido na oposição, tinha declarado ao Expansão que a verba disponibilizada é insuficiente para enfrentar o desafio eleitoral que se aproxima. Segundo o seu secretário-geral, Álvaro Daniel, "a UNITA está a competir com um partido que tem o controlo do poder financeiro do Estado, tem o controlo das instituições financeiras, tem empresas que criou e ficam com as adjudicações das obras e outros projectos financiados pelo Estado, e que tem os comités de especialidade que sequestraram a classe empresarial". O político acrescenta que "contra um partido com essas fontes abertas de financiamento não se compete com este dinheiro". "Há que ser criativo para se encontrar outras alternativas, ainda que seja a contribuição dos membros, amigos e simpatizantes", refere.

Álvaro Daniel considera que "uma boa campanha pode ser feita com um mínimo de 9 mil milhões Kz, tendo em conta o elevado custo dos produtos em Angola. Mas entre o ideal e o razoável, os partidos têm de saber gerir o que conseguirem arrecadar".

Para as actividades políticas de massas quase todos os partidos alugam meios de transporte, o que pressiona os custos da campanha eleitoral. "O aluguer de um autocarro chega a custar 100 mil Kz, agora imagine o valor necessário para transportar 5 ou 6 mil pessoas por Luanda. É abismal", avança Rui Malopa, do PRS.

(Leia o artigo integral na edição 681 do Expansão, de sexta-feira, dia 01 de Julho de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)