Semana Global do Dinheiro promove inclusão financeira
Termina esta sexta-feira, estende-se a várias províncias do País e pretende combater a baixa literacia financeira em Angola.
A realização da 14ª edição da Semana Global do Dinheiro em Angola volta a expor um dos principais constrangimentos estruturais do sistema financeiro nacional: a baixa literacia financeira, ainda num contexto em que apenas cerca de metade da população está integrada no sistema bancário formal.
O evento, que decorre até 20 de Março em várias províncias, insere-se numa iniciativa internacional coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que desde 2012 promove a sensibilização de crianças e jovens para temas como poupança, investimento e uso responsável do dinheiro.
Angola acompanha esta agenda há mais de uma década, tendo vindo a institucionalizar progressivamente a iniciativa, que já vai na sua 14.ª edição, sinal de continuidade, mas também de persistência de fragilidades. Promovida no nosso País pelo Banco Nacional de Angola (BNA), a semana mobiliza escolas, instituições financeiras e entidades públicas em várias províncias, com acções pedagógicas dirigidas sobretudo a crianças e jovens, incluindo palestras, jogos educativos e sessões de sensibilização sobre poupança, crédito, investimento e uso de meios de pagamento digitais.
O objectivo, como sublinhou o governador Manuel Tiago Dias, passa por promover hábitos financeiros saudáveis, reforçar o pensamento crítico e preparar as novas gerações para um sistema financeiro cada vez mais complexo e digital. Apesar da continuidade da iniciativa os resultados permanecem limitados face à dimensão do problema.
A baixa inclusão financeira reflecte não apenas défices de conhecimento, mas também factores estruturais como rendimentos reduzidos, informalidade elevada, custos de acesso aos serviços bancários e insuficiências na cobertura territorial e digital.
Neste sentido, a Semana Global do Dinheiro assume relevância enquanto instrumento de sensibilização, mas dificilmente terá impacto transformador sem uma integração mais profunda com políticas públicas permanentes, nomeadamente ao nível do sistema educativo e da inclusão económica. Num País onde ainda se discutem conceitos básicos de gestão financeira, a educação é condição necessária, mas não suficiente, para garantir uma inclusão financeira efectiva e sustentável.











