Saltar para conteúdo da página

EXPANSÃO - Página Inicial

Economia

As instituições devem rever com frequência a sua tolerância ao risco

12º Fórum Banca Expansão

INÊS FILIPE, PCA da KPMG Angola, na sua apresentação reforçou que apesar dos elevados investimentos que as instituições financeiras têm vindo a fazer com base na prevenção do risco financeiro, ainda se regista um conjunto elevado de fragilidades, "o que significa que o investimento deve ser contínuo".

Inês Filipe, PCA da KPMG Angola, aproveitou a ocasião para alertar para um conjunto de aspectos relativos à prevenção do crime financeiro que as instituições devem aplicar nas suas organizações, garantindo capacidade de gestão aos colaboradores e respondendo às expectativas de clientes e do regulador financeiro.

O branqueamento de capitais é uma realidade, não só em Angola, mas em todo mundo, sendo que todos os dias se registam perdas enormes por causa deste fenómeno, entrando para o circuito formal verbas de origem duvidosa, sem estarem sujeitas ao controlo das entidades oficiais. Mas estes são desafios e o mercado deve ter capacidade técnica para dar lhes resposta.

Um dos maiores problemas que a KPMG Angola coloca é a ineficiência do processo, a fragmentação de dados nas instituições. De acordo com Inês Filipe, as organizações devem agregar valor à estratégia de digitalização para dar mais-valia à qualidade de dados. Não basta apenas tê- -los, é necessário também saber interpretá-los. Um outro problema é a demora na resposta na tomada de decisão das instituições, que muitas vezes apontam essa responsabilidade à área de compliance.

De acordo com a consultora, um dos grandes passos para dar resposta a estas reclamações é ter a cultura do compliance disseminada por toda a organização, afirmando que este "é um tema que deve estar desde "top down", deve ser natural e uma forma de estar na instituição".

Dados e gestão de dados cibernéticos ainda é um grande desafio nas instituições em Angola, sendo que é dentro destes desafios onde estão os riscos da fraude e do crime financeiro. É com base nesta questão que a responsável da KPMG Angola, chamou à atenção que as instituições devem rever com grande frequência a sua tolerância ao risco e definir qual é a tolerância que querem ter na avaliação do supervisor. Em termos práticos, definir os sinais que devem ser tomados em conta nas diversas operações financeiras.

Apesar dos elevados investimentos que as instituições financeiras têm vindo a fazer com base na prevenção do risco financeiro, ainda se regista um conjunto elevado de fragilidades, "o que significa que o investimento deve ser contínuo", alerta a responsável. Há um conjunto de controlos internos que as instituições devem implantar para que se possa tornar o sector financeiro angolano mais robusto.

Apontou também como fundamental a capacitação dos colaboradores da organização, introduzindo conhecimento do negócio sobre interpretação de dados, infraestrutura flexível, capaz de alojar os dados necessários e a tecnologia. Segundo Inês Filipe, sem estes incrementos, não é possível evoluir para o processo de prevenção de fraudes e crimes financeiros.

Com estes reparos feitos, "os benefícios vão ao encontro das expectativas dos clientes, a instituição ganha retendo colaboradores com qualidade técnica e motivacional, reforçando o compliance, numa abordagem holística para a gestão de riscos associados ao crime financeiro, uma correcta gestão de expectativas com o regulador, risco reduzido de multas ou danos reputacionais e, associado a tudo isto, está a redução do custo resultante do uso eficaz da tecnologia", disse Inês Filipe.

É preciso ter a consciência que o desenvolvimento do compliance e a auditoria interna envolve custos avultados, e que cabe a cada organização definir se estes custos valem a pena ou não, embora seja obrigatório cumprir com aquilo que está definido na lei. O nível de investimento tem de ser equilibrado com o modelo de negócio de cada uma das instituições, sendo que é necessário que dentro dos parâmetros da lei, cada um dos bancos encontre a melhor forma de fazer este combate ao branqueamento de capitais, por forma a manter a sua credibilidade.