Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Economia

Taxas Luibor mais baixas de sempre voltam a subir com aperto da política monetária

TAXAS DE JUROS DE REFERÊNCIA PARA O CRÉDITO

Os empréstimos bancários estão mais baratos devido à descida da taxa de referência para o crédito interbancário, a Taxa Luibor Overnight, que fechou esta quarta-feira, nos 5%, depois de atingir 4,7% na semana passsada.

A Luibor (acrónimo inglês de Taxa Interbancária de Oferta de Fundos do Mercado de Luanda), taxa que serve de referência às taxas de juro que os bancos cobram quando emprestam dinheiro entre si, caiu nos últimos meses, registando as taxas mais baixas desde que há registos, segundo constatou o Expansão, o que à partida indicia um excesso de liquidez na banca, já que o dinheiro está a girar no circuito interbancário, fazendo descer as taxas. Mas esta tendência vai ser quebrada, já que o BNA apertou a política monetária ao perseguir o fantasma da inflação.

Nesta quarta-feira, a LUIBOR overnight (a taxa de juro usada pelos bancos para remunerar empréstimos interbancários de curto prazo, feitos à noite, no chamado mercado overnight) fixou- -se em 5,05%, depois de atingir os 4,74% na semana passada. Já as taxas a três e nove meses fixaram- -se em 9,85% e 11,97%, respectivamente, no final de Outubro.

No entanto, o Expansão apurou que os bancos estão a transaccionar liquidez entre si no mercado monetário interbancário. Este movimento por arrasto tem empurrado as Luibor para baixo. Aliás, a própria teoria económica explica que circulação em excesso faz cair os preços. Como não há dinheiro a circular em volumes que satisfaçam a procura, os bancos com muita liquidez tendem a baixar o custo do dinheiro, ou seja, o cumprimento da lei da oferta e da procura. Isto porque o mercado cambial está praticamente parado, e os bancos estão à espera que volte a abrir, o que abre a porta a uma nova desvalorização do Kwanza nos próximos meses.

Entretanto, para enxugar a liquidez o BNA apertou a política monetária através da subida da taxa básica de juro para 18%, medida que já se esperava há alguns meses porque a taxa de inflação tem apresentado uma trajectória crescente desde Maio. Mas também através do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional, que subiu igualmente para 18%. Quanto maior o coeficiente de reservas obrigatórias, menos dinheiro os bancos podem emprestar aos agentes económicos. Com este aumento, os bancos passam a cobrar juros mais altos para não baixarem os lucros. Igualmente, o BNA eliminou a taxa de custódia sobre o excesso de reservas livres das instituições bancárias, depositadas no Banco Nacional de Angola. Assim, enxuga liquidez da economia com estes instrumentos de política monetária para estancar o aumento generalizado dos preços.

Para o economista Mateus Maquiadi, esta liquidez que circula dentro do mercado interbancário deve-se ao facto de "este ano ter havido um movimento de pagamento de atrasados mais em liquidez do que em títulos, bem como os volumes de vencimentos de títulos têm sido elevados".

"A banca tem mantido níveis altos de liquidez para assegurar capacidade e compra de moeda estrangeira; as taxas de juro do mercado primário não têm sido elevadas o suficiente para contrariar esta preferência da banca por liquidez", disse o economista.

Maquiadi entende que a banca está a ceder liquidez ao Ministério das Finanças, argumentando que tem havido muitas operações de reporte no mercado secundário, realizadas pelo BNA em representação da banca. "Por isso, os volumes de negociação da BODIVA têm atingido recordes", refere.

Alberto Vunge, economista e consultor, partilha o mesmo pensamento, já que afirma que actualmente o Tesouro Nacional tem se engajado em operações de Repos (acordos de recompra). "É a válvula de escape no momento", afirma.

Na sua opinião, o aumento do capital social para o dobro e o facto da execução do plano de endividamento para o OGE 2023 ter estado aquém do programado, tem sido um dos motivos da liquidez que circula no circuito monetário.

"Este efeito na liquidez do sistema como resultado da capitalização do subsistema financeiro bancário era expectável. A erosão das taxas Overnight e Luibor é corolário deste excesso de liquidez. Os bancos necessitam de algum tempo para se ajustarem a este cenário de excesso de liquidez", remata Alberto Vunge.