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Resultados operacionais da Sonangol afundam 40% para 3.173 milhões USD

BALANÇO PRELIMINAR DE 2023

O volume de negócios da Sonangol encolheu 18%, devido à queda do preço do barril de petróleo de 102 USD em 2022 para 82 USD em 2023. Dívida financeira encolheu 4%, enquanto a dívida a cash calls mais do que duplicou, o que, segundo banqueiros, é preocupante pois irá afectar o mercado cambial.

Os proveitos operacionais da Sonangol em 2023 caíram 18% para 10.979 milhões USD face aos 13.404 milhões registados em 2022, enquanto os custos operacionais também diminuíram 3% para 7.806 milhões USD. Contas feitas, os resultados operacionais em 2023 encolheram 40% para 3.173 milhões USD, menos 2.159 milhões USD do que em 2022. Assim, os lucros antes de impostos, juros e amortizações (EBITDA) cairam 2.147 milhões USD para 3.185 milhões USD.

As contas do Expansão têm como base os resultados preliminares apresentados na semana passada no habitual encontro anual onde é assinalado o aniversário da petrolífera nacional. Assim, no evento sobre o 48.º aniversário da Sonangol, o presidente do conselho de administração da Sonangol, Sebastião Martins, revelou que os resultados foram penalizados pela redução do preço do petróleo nos mercados internacionais. Isto porque em 2022 o preço médio anual da venda das ramas angolanas foi de 102 USD, enquanto no ano passado foi de 82 USD, uma queda de quase 20%.

No entanto, a petrolífera acabou por vender mais barris de petróleo do que em 2022, passando de 56.990.225 barris para 66.775.296 em 2023. A afectar os resultados operacionais esteve também o facto de a exportação de produtos refinados ter diminuído em 15% para 878.101 toneladas métricas, bem como a diminuição de receitas com a actividade de refinação, distribuição e venda de combustíveis.

A queda dos resultados da Sonangol só não foi maior porque a companhia beneficiou do aumento do preço da gasolina, no âmbito do programa de redução gradual dos subsídios aos combustíveis, da ligeira redução dos custos operacionais e também da desvalorização do kwanza, já que a maior parte da receita da Sonangol é em moeda norte-americana.

E ainda sobre os combustíveis, segundo sebastião Martins, foram produzidos no ano passado 221 mil toneladas métricas, quase três vezes mais do que em 2022. "Com a produção de gasolina na Refinaria de Luanda o País conseguiu reduzir os custos com as importações, em cerca de 242 milhões USD", disse.

Por outro lado, a empurrar os gastos da Sonangol para cima, o País importou no ano passado 3,5 milhões de toneladas métricas de combustíveis, representando um aumento de 13% face ao período anterior. A companhia não revelou quanto gastou na importação de combustíveis, mas de acordo com o administrador para a área financeira, presente no evento, a Sonangol gastou, em média nos últimos dois anos cerca de 2,5 mil milhões USD. Escusou-se a revelar quanto deste valor é subsidiado pelo Estado.

Quanto às vendas, os grossistas adquiriram 3,6 milhões de toneladas métricas, mais 2% que em 2022 e a venda aos clientes finais (postos de combustíveis) as vendas cifraram-se em 1,0 milhões de toneladas, mais 12 % que em 2022. No ano passado foram aprovisionadas 4,89 milhões de toneladas métricas de produtos refinados, mais 9% que o registado no período anterior.

A Sonangol conta com 330 postos de abastecimento operacionais em todo o território nacional, 10 instalações de combustível e nove terminais oceânicos, e detém 65% da quota de mercado de distribuição de refinados em Angola.

Apesar das condições adversas no mercado petrolífero, a Sonangol garante que prosseguiu com o seu programa de investimentos, tendo aplicado 2.049 milhões USD, dos quais 98% na cadeia primária de valor. Do total, 84,4% foi o investimento no segmento de exploração e produção, 5,4% no trading and shiping, 3,6% no segmento de refinação e petroquímica, 1,8% na distribuição e comercialização, 1,5% no segmento de gás e energias renováveis, enquanto os negócios não nucleares receberam uma fatia de 1,9%.

De acordo com o PCA da Sonangol, em termos de estratégia, a petrolífera angolana está presente em 35 concessões, das quais nove como operador, assegurando 18,5% da produção nacional. Já em termos de quota de produção operada, a Sonangol, em finais de 2023, representou apenas 2,05%, acima dos 1,88% de 2022.

Leia o artigo integral na edição 765 do Expansão, de sexta-feira, dia 01 de Março de 2024, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)