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Angola eleita oficialmente presidente da OPEP em fase de decisões difíceis

Mandato arranca em Janeiro

Angola foi eleita oficialmente no início da semana para presidir a conferência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) durante o ano de 2021, e vai tomar posse já em Janeiro. A Conferência da OPEP é apresentada nos estatutos como a autoridade suprema da organização e consiste num órgão que congrega e reúne todas as delegações dos países membros do "cartel".

Na qualidade de presidente, o líder da delegação angolana, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás vai presidir a reuniões da instituição onde são tomadas as decisões mais importantes da vida da organização.

Desde que o país entrou para a OPEP há 13 anos, esta é a segunda vez que Angola assume a presidência deste órgão. Desta vez, assume o lugar numa fase em que o cartel tem estado a aplicar cortes à produção dos seus membros para estabilizar o preço do crude, o que para vários especialistas prejudica Angola que está a caminho da quinta recessão consecutiva e cujas receitas fiscais estão muito dependentes da exportação desta matéria-prima.

Para Pedro Godinho, empresário do sector, Angola tem uma produção muito pequena se comparada com outros membros da OPEP e por isso poderia continuar a beneficiar dos efeitos dos cortes da organização (subida dos preços) sem ter o compromisso de cortar a produção. O empresário tem defendido ao longo dos tempos a saída imediata ou a suspensão do estatuto de membro.

O Fundo Monetário Internacional também admite que os cortes de produção em Angola prejudicaram a recuperação da economia do país. Em entrevista ao Expansão publicada em Outubro, o representante do FMI em Angola, Marco Souto, disse que os cortes de produção que arrancaram em Maio, associados à queda do preço do barril devido à pandemia da Covid-19, tiveram um impacto grande do ponto de vista fiscal.

Também o empresário Lago de Carvalho defende que Angola nunca deveria ter entrado na OPEP e que o país deve reavaliar os benefícios da permanência na organização.

(Leia o artigo integral na edição 603 do Expansão, de sexta-feira, dia 4 de Novembro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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