Motorola passa a pertencer a capital chinês
A histórica Motorola, criadora do primeiro telemóvel, vai mudar de mãos, passando a pertencer a capital chinês. O chorudo cheque da Lenovo será endoçado à Google.
A chinesa, nascida há 30 anos, anunciou o negócio poucos dias depois de, também em Janeiro, divulgar a compra dos servidores da IBM por 2.300 milhões USD. Num mês, mais de 5.000 milhões voarão da China para os EUA, e no sentido contrário irão activos de dois gigantes da terra do Tio Sam, onde as tecnológicas chinesas são demonizadas devido a uma potencial espionagem.
Os dois negócios norte-americanos anunciados pela Lenovo em Janeiro comportam o reforço em grande num mercado onde as companhias chinesas são amiúde acusadas de espionagem - e onde a companhia já está desde 2005, desde que comprou a divisão de computadores pessoais da IBM.
E também uma vingança no topo do continente americano, onde, no ano passado, foi impedida pelo governo canadiano de comprar a Blackberry, sob o pretexto de que há muitos governantes que usam aquele equipamento e que, assim, ficariam sujeitos ao controlo de uma empresa chinesa.
Além da vitória americana, a aquisição da Motorola será uma afirmação perante os consumidores da China, onde a rival HTC terá agora maior dificuldade em surfar a onda gigante do Android, na qual a Lenovo acaba de se colocar na crista, junto com as também asiáticas Samsung, Asus e LG. Com 2.900 milhões USD, a Lenovo conseguiu garantir que a HTC fica bem atrás de si, a yuans-luz na hierarquia dos clientes do Android, o sistema com que a Google se bate com o iOS da Apple.
A aquisição da Motorola à Google poderá mesmo ser win-win, já que, se por um lado a Lenovo adquire uma histórica marca americana das telecomunicações por meros 3.000 milhões, a Google terá - segundo algumas opiniões - fechado negócio num timing perfeito, no final da semana passada.
Alexandre Frade Batista











