"Daqui a cinco ou dez anos, podemos ter o ensino superior em outra atmosfera"
Jesus Tomé, director geral do INAAREES, explica o processo de avaliação do funcionamento das instituições de ensino superior e porque uma parte significa dos cursos acabaram por "chumbar". Garante também que em todo este processo não houve qualquer interferência do ministro ou do poder político. Mas acredita que a qualidade do ensino superior vai crescer nos próximos anos.
A qualidade do ensino superior é uma componente essencial para a credibilidade científica de um País. Como Angola está neste quesito?
A preocupação com a qualidade do ensino não é um conceito totalmente novo, a primeira avaliação começou em 1986 quando havia no País apenas uma instituição de ensino superior, a Universidade Agostinho Neto. Em 1987, a faculdade de Medicina desta universidade recomendou também outra avaliação em instituições portuguesas. A preocupação com a qualidade começou quando não havia um sistema nacional de ensino e educação.
E quais foram as conclusões deste estudo?
Dado ao contexto de conflito armado que o País enfrentava e a falta de um sistema de ensino superior, estes factores influenciaram negativamente nas conclusões da avaliação que foram essencialmente três: a primeira, tinha a ver com a paralisia total da instituição e investigação científica, a segunda dizia que o ensino não tinha qualidade e deixava muito a desejar, e a terceira conclusão fez referência à falta de pessoal docente qualificado.
Estes problemas continuam até hoje?
Nem todos continuam como na primeira avaliação. A falta de qualidade já não é a mesma, mas o quesito investigação científica ainda não é agradável. Hoje o contexto é francamente diferente devido aos investimentos feitos no sector, se comparado ao que era feito há 40 anos, o que nos leva também a termos um grande optimismo de mudança, quer na educação, no ensino superior, e, em particular, no sistema de garantia da qualidade. Os resultados começam a aparecer, ainda que sejam muito ténues, mas começam a aparecer.
A preocupação com a qualidade de ensino superior não começou com o INAAREES...
O INAAREES é a continuidade. A preocupação do País em relação à garantia da qualidade não se circunscreve simplesmente ao surgimento do regime jurídico sobre avaliação, acreditação externa e a entrada em funcionamento deste instituto em 2016. Antes disso, houve tentativas legais de formalizar a criação de uma gestão de garantia da qualidade. Por exemplo, em 2005 surgiu uma estrutura de nível superior que se ocupava da garantia da qualidade, sendo o Gabinete de Avaliação e Ensino Superior (GAES), superintendido pela Presidência da República. Em 2023 o INAAREES começou o processo contínuo de avaliação e reavaliação cíclica em todos os cursos de graduação e pós-graduação...











