"No limite, a internet custará zero. Será apenas um direito humano"
A MSTelecom tem oficialmente novo rosto desde 11 de Junho. É um processo de transformação e reposicionamento do braço tecnológico da Sonangol. Num sector dinâmico e de capital intensivo, Pinto Leite aborda a saúde financeira da empresa que fornece serviços de conectividade ao oil and gas, fala da relação de dependência com o accionista e projecta o futuro da empresa e de um continente mais conectado.
Assumiu o cargo na MSTelcom, agora Mercury, no início do ano. Depois de assumir a empresa que é o braço tecnológico da petrolífera nacional, Sonangol, está a proceder a um rebranding. Foi contratado justamente para isso?
Bem, na realidade, esta Comissão Executiva, que tomou posse em Janeiro deste ano, tem como mandato a transformação da MSTelcom. O rebranding é apenas um dos passos desse processo de transformação, que visa o reposicionamento da empresa no mercado, tornando-a mais ágil, mais próxima dos clientes e mais alinhada com as próprias tendências e necessidades do mercado.
Depois da mudança do rosto da empresa, o que têm a seguir nesse processo de transformação?
Como referi, o processo de transformação inclui várias etapas. Inclui o nosso reposicionamento no mercado e, com isso, uma série de acções, até intensas, nomeadamente nos nossos processos internos, sob o ponto de vista de olharmos e capacitarmos o nosso capital humano para estar mais adequado às novas tendências, e sob o ponto de vista da revisão da nossa infraestrutura nacional. Mas, no final do dia, o que importa é trazermos para o mercado soluções de ponta a ponta que sirvam, de facto, como catalisador para aquilo de que sempre falámos, que é a inclusão digital das empresas e até das populações em Angola.
Vocês são vistos como operadores do B2B (business to business). Essa transformação de que fala vai envolver também um alargamento ao mercado do consumidor final (B2C)?
Nós actuamos em vários segmentos de negócio. Pela nossa génese, temos um grande foco não só no B2B, nos vários segmentos, no financeiro, no retalho, mas também no oil and gas, devido à nossa própria génese, como subsidiária do grupo Sonangol. Porém, não nos limitamos a isso. Estamos a olhar não só para o B2C, mas também, dentro do próprio B2B, para o wholesale, segmento de mercado que visa fornecer serviços a outros operadores. E aqui não falamos apenas de operadores nacionais, mas também de operadores internacionais.
Quais são os vossos principais clientes no ramo B2B?
Temos clientes em todos os segmentos de negócio. Como já referi, no oil and gas a Sonangol tem destaque, não só por ser nossa accionista, mas também por ser um dos nossos principais clientes. Trabalhamos com as várias petrolíferas que actuam no mercado angolano e com o sector financeiro, praticamente com toda a banca. Também no retalho, na área de transportes e no sector mineiro, onde temos uma forte presença com soluções de satélite, tanto geoestacionários como de baixa órbita. Por exemplo, agora mesmo, no Angotic, anunciamos uma parceria com o operador Eutelsat OneWeb, operador internacional de soluções de satélites de baixa órbita.
E qual é a vossa estratégia para atacar o mercado de consumo, ou seja, fornecer internet aos clientes finais?
As nossas soluções para o segmento de consumo, o B2C, passam por outras ofertas, nomeadamente a solução de 5G fixo. Com ela, focamos os dois grandes segmentos de mercado: o corporativo (B2B) e o de consumo (B2C). Neste momento, já temos a província de Cabinda inteiramente coberta pela nossa rede de 5G. Grande parte da cidade de Luanda também já está coberta, como, por exemplo, a parte baixa da cidade, Talatona e a Zona Económica Especial. Continuamos a alargar o footprint (cobertura) da nossa rede, com o objectivo de termos amplitude nacional para os dois segmentos, o corporativo e o de consumo, este último vocacionado para a população em geral.
No ano passado, apresentaram no Angotic um router 5G. Já está a ser comercializado?
Estamos, dentro do plano de transformação, a garantir todas as condições técnicas para o lançamento comercial. Posso anunciar aqui, em primeira mão, que na próxima semana iniciaremos a comercialização em Cabinda. E contamos, ainda este mês ou nas primeiras semanas de Julho, iniciar a comercialização também...











