África boicota Cimeira Africana das Energias em Londres
"Não participamos em ambientes onde jovens moçambicanos são discriminados apenas com base na cor da pele e não nas suas qualificações ou méritos decorrentes da experiência", justificou o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave. Outros produtores de petróleo africanos juntaram-se ao boicote.
Os ministros africanos do Petróleo anunciaram um boicote à Cimeira Africana das Energias (AES), que terá lugar de 12 a 14 de Maio em Londres, por "sérias preocupações" relacionadas com o conteúdo local, argumentando que esta é "uma prioridade inegociável" para a indústria petrolífera do continente.
A decisão, divulgada pela Câmara de Energia Africana, é anunciada dias depois de Moçambique acusar a entidade organizadora, a Frontier Energy Network, de "discriminação", por se recusar a pôr fim à política de não contratação de profissionais negros e resistir aos apelos para divulgar dados sobre a diversidade da força de trabalho.
"A Cimeira Africana de Energias obtém a maior parte das suas receitas de África, mas o seu padrão de discriminação equivale a um bloqueio intencional aos profissionais negros", resume a Câmara Africa na de Energia (AEC, na sigla em inglês), num comunicado onde anuncia a decisão de Moçambique de se retirar da Africa Energies Summit 2026, numa altura em que o país está a reiniciar megaprojetos de gás e a pressionar para que os projectos sejam abertos a talentos locais.
Já o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave, afirma que "em 2026, este não é o comportamento que se espera de quem quer que seja que utilize o nome de África", descartando a ida do país a Londres. "Não participamos em ambientes onde jovens moçambicanos são discriminados apenas com base na cor da pele e não nas suas qualificações ou méritos decorrentes da experiência", justifica.
A decisão de Moçambique acabou por ser seguida por outros países produtores de petróleo e gás africanos, que, ao boicotar o evento em Londres, enviam uma mensagem clara. "Se Gayle Meikle, da Irlanda, e Daniel Davidson, da Escócia, alterarem a sua política para que seja mais inclusiva, muitos africanos trabalharão com eles. As políticas de exclusão não reflectem os nossos valores nem os da indústria petrolífera.
A Frontier tem uma oportunidade incrível de fazer o que está certo", frisou NJ Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia. Por outro lado, as nações produtoras de petróleo do continente enviam "um forte sinal" de que as plataformas do sector que operam sob a bandeira da energia africana "devem reflectir os valores e os objectivos de desenvolvimento do continente", acrescenta.
Compromisso com África
A Câmara Africana de Energia lembra que, em todos os sectores do oil & gas, tantos os mercados emergentes como os já estabelecidos estão a integrar políticas de conteúdo local, como forma de catalisar a criação de emprego, a participação local e o desenvolvimento de competências. Para isso, têm feito alterações à regulamentação interna, como mostram a Lei de Desenvolvimento de Conteúdo da Indústria do Petróleo e do Gás da Nigéria (NOGIC) e a Lei de Conteúdo Local de Angola, que "proporcionaram uma base sólida para a implementação do conteúdo local".
A Câmara Africana de Energia aponta ainda o projecto Greater Tortue Ahmeyim (GTA) no Senegal e na Mauritânia, que não só destina uma parte do gás a cada mercado interno, como apresenta uma estratégia de conteúdo local multifacetada centrada na cadeia de abastecimento, no desenvolvimento da força de trabalho e no investimento social.
Aponta ainda o projecto EG LNG na Guiné Equatorial como "um importante impulsiona dor" do conteúdo local. Em funcionamento desde 2007, o projecto "tem colocado ênfase no desenvolvimento e integração da força de trabalho local por meio de várias iniciativas que promovem a participação e um apoio económico mais amplo"....











