SADC: aviação pode ficar sem combustível já em Maio
As companhias aéreas "não podem planear ou operar num vácuo de informação", afirma a Associação das Companhias Aéreas da África Austral que quer conhecer os planos de contingência das transportadoras que operam na região. As empresas africanas enfrentam mais um choque e um novo teste à sua sobrevivência.
A Associação das Companhias Aéreas da África Austral (AASA) solicitou aos fornecedores de combustível da região, aos depósitos (incluindo aeroportos) e aos governos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) que partilhem "urgentemente os seus planos de contingência para a alocação e distribuição de combustível para o sector da aviação".
A organização que representa 16 companhias aéreas da região, num total de 43 membros, sublinha que o transporte aéreo, um pilar essencial das economias da SADC, "é particularmente suscetível a interrupções no fornecimento de combustível", já que depende quase inteiramente da importação de petróleo bruto e querosene Jet-A1 refinado.
Apesar disso, há "falta de cla reza" em relação à disponibilidade de combustível para a aviação além do mês de Maio, o que põe em risco todo o sector. "As companhias aéreas necessitam de certeza quanto à segurança do fornecimento de combustível de aviação para além de um horizonte de seis semanas para manterem os seus horários e cumprirem as suas obrigações", afirma Aaron Munetsi, CEO da AASA, numa altura em que companhias aéreas em todo o mundo já operam em contingência, sendo obrigadas a aumentar os preços dos bilhetes, a cancelar voos e a repensar as suas operações.
A Ethiopian Airlines, que perdeu 137 milhões USD numa semana, em Março, porque teve de cancelar 100 voos após rebentar a guerra no Médio Oriente, optou por planos de poupança de combustível. A maior companhia de aviação africana e a única que opera com lucros ajustou as suas operações com a utilização alargada de escalas técnicas nas rotas de longo curso - uma estratégia que permite conservar combustível no seu hub em Adis Abeba, mantendo a ocupação total de passageiros e carga, segundo o jornal The East African.
A companhia etíope passou também a acomodar passageiros com bilhetes de outras transportadoras aéreas, como a Turkish Airlines, que anunciou, esta terça-feira, 28 de Abril, a suspensão dos voos na rota Luanda-Istambul, entre 3 de Maio e 25 de Novembro.
Mais um teste
A Associação das Companhias Aéreas da África Austral espera que a situação no Golfo seja resolvida em breve e os bloqueios no Estreito de Ormuz sejam levantados rapidamente, mas há que estar preparado para um cenário mais adverso. Mesmo que o conflito termina agora serão necessários, no mínimo, meses para que a produção de combustível regresse aos níveis anteriores, dado que várias refinarias no Golfo foram danificadas e necessitarão de ser reparadas.
"É por isso que precisamos de actualizações transparentes sobre os stocks de combustível, incluindo o que foi encomendado, mas ainda precisa de ser entregue, bem como o estado das reservas estratégicas nacionais de combustível, as condições que desencadeariam a sua libertação e como essas reservas seriam alocadas e priorizadas", refere Aaron Munetsi, no comunicado enviado aos associados, entre eles a TAAG, a South African Airways e a LAM - Linhas Aéreas de Moçambique, que já cancelou voos, nomeadamente a ligação Maputo-Inhambane.











