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África

Criminalidade "rouba" 10% ao PIB da África do Sul anualmente

ESTUDO DO BANCO MUNDIAL RESSALTA A NECESSIDADE DE "ACÇÕES MULTIFACETADAS" E "ESFORÇOS A LONGO PRAZO"

"As elevadas taxas de criminalidade prejudicam a economia e contribuem para a má afectação e utilização ineficaz dos recursos", infligindo um custo estimado pelo Banco Mundial em 37,5 mil milhões USD, este ano. Os custos com a protecção de empresas, famílias e estruturas do Estado são os que mais pesam.

A criminalidade custa à economia sul-africana pelo menos 10% do Produto Interno Bruto (PIB), em termos de bens roubados, custos de protecção e oportunidades económicas perdidas, conclui um relatório do Banco Mundial, que pretende contribuir para uma melhor compreensão do impacto do crime no crescimento económico.

A investigação destina-se a apoiar o governo na concepção e implementação de políticas para combater e mitigar os custos do crime na economia e na sociedade. Os resultados foram divulgados numa iniciativa conjunta com o programa African Futures and Innovation do Institute for Security Studies (ISS), e que serviu para o Banco Mundial lançar a Actualização Económica da África do Sul, com o título "Em primeiro lugar: o custo económico do Crime na África do Sul".

"As elevadas taxas de criminalidade prejudicam a economia e contribuem para a má afectação e utilização ineficaz dos recursos, infligindo um custo estimado de pelo menos 10% do PIB todos os anos", escreve o Banco Mundial (BM), que quantifica os custos do crime em 700 mil milhões de rands em 2023 (37,5 mil milhões USD).

"Embora nem todos estes custos representem perdas absolutas de bem-estar, penalizam os agregados familiares e as empresas, bem como o Estado, que gasta grandes quantias com a ordem e a segurança públicas", resume o BM, que considera estes custos como um "imposto elevado" que "distorce a afectação de recursos, limita o potencial de crescimento do país e tem efeitos distributivos negativos".

A prevalência do crime na África do Sul "continua a ser uma preocupação premente", devido às elevadas taxas de crimes violentos". Persistentemente, África do Sul está entre os cinco países com piores taxas de homicídio no mundo, sendo "crucial" abordar a questão, num contexto em que a "criminalidade organizada também está a aumentar, incluindo o roubo de redes de infraestruturas essenciais".

O relatório aponta que a "taxa de homicídios do país é mais de seis vezes que a média dos países de rendimento médio-alto e quase 16 vezes que a dos países de rendimento elevado".

No caso das empresas, "se pudessem investir parte do montante que gastam em segurança em empreendimentos produtivos", o potencial de crescimento do país "poderia aumentar em cerca de 1 ponto percentual". No caso das famílias, reduz o rendimento disponível, ao mesmo tempo que reforça a desigualdade, porque os mais vulneráveis, que dispõem de poucos bens, são incapazes de se proteger ou aos seus escassos pertences.

No caso do sector público, a "elevada criminalidade exige maior despesa pública em policiamento e segurança" e "transferências significativas" para empresas estatais cujas operações e solidez financeira são prejudicadas pelo roubo de infra-estruturas". Esse dinheiro acaba por ser desviado de "gastos de desenvolvimento tão necessários".

Custos de protecção

Os custos com a protecção são os que têm mais peso na contabilidade feita pelo Banco Mundial. No caso das famílias ascendem a 1,3% do PIB e nas empresas chega a 2,9% do PIB. Os "custos de transferência" são estimados em 2,6% do PIB e incluem perdas de bens ou roubos pessoais, perdas de mercadorias e serviços, extorsão (0,7%) e roubo de cabos de cobre. Os custos de oportunidade perdida chegam a 2,8% do PIB, incluindo 1,1% em défices de turismo.

Os custo globais resultam de uma "estimativa conservadora", uma vez que cobrem apenas o crime económico e não contabiliza, por exemplo, despesas médicas, salários perdidos devido a encarceramento, incapacidade, morte ou dispositivos de trabalho roubados, entre outros.

"A economia da África do Sul não cresceria milagrosamente a 10% ou mais anualmente se o crime fosse subitamente eliminado. São os custos cumulativos que somam perto de 10% do PIB. Sem este "imposto" a economia cresceria a um ritmo muito mais rápido", resume Ed Stoddard, jornalista do Daily Maverick, numa análise ao relatório do Banco Mundial.

Leia o artigo integral na edição 753 do Expansão, de sexta-feira, dia 01 de Dezembro de 2023, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)