Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

África

Genclore concorda pagar 180 milhões USD para encerrar investigações na RDC

África

A multinacional anglo-suíça admitiu que conspirou para pagar cerca de 27,5 milhões USD a terceiros para assegurar "vantagens comerciais impróprias" na RDC. Acordos para "fechar" investigações já ascendem a 1,6 mil milhões USD.

A Glencore concordou pagar 180 milhões USD à República Democrática do Congo (RDC) para "encerrar" investigações pelo pagamento de subornos no país, entre 2007 e 2018, para assegurar contratos e evitar auditoriais. O acordo eleva para 1,6 mil milhões USD os pagamentos feitos pela multinacional, sediada na Suíça, para resolver casos de corrupção em vários países africanos e da América do Sul, entre os quais os Camarões, Costa do Marfim e Nigéria.

O pagamento à RDC é o último de uma série de acordos que o gigante anglo-suíço da mineração tem feito para fechar investigações nos EUA, Reino Unido e no Brasil, como revelou o Expansão em Junho, e representa uma "migalha" nos lucros de 3,2 mil milhões USD previstos para este ano, segundo o Financial Times.

O acordo ocorre seis meses depois de, em Maio, a Glencore ter admitido que subornou funcionários em vários países africanos, entre os quais a RDC, na sequência de investigações sobre as actividades da multinacional durante o período de 2007 e 2018.

Camarões, Costa do Marfim, Guiné Equatorial, Nigéria e República Democrática do Congo estão na lista de sete países onde a multinacional Glencore admitiu ter feito pagamentos a funcionários e agentes públicos, durante uma década, num montante superior a 100 milhões USD, para "garantir contratos petrolíferos" e "evitar auditorias governamentais".

No caso da RDC, segundo revelou em Maio o Departamento de Justiça dos EUA, a Glencore admitiu que conspirou para pagar cerca de 27,5 milhões USD a terceiros para assegurar "vantagens comerciais impróprias" no país, assumindo que "uma parte dos pagamentos fosse utilizada para subornos".

O acordo com o governo congolês, como frisou o presidente da Glencore, Kalidas Madhavpeddi, é uma consequência da "conduta passada" da empresa e cobre "todas as reivindicações presentes e futuras decorrentes de quaisquer alegados actos de corrupção" cometidos pela multinacional entre 2007 e 2018.

A Glencore, como refere a BBC News, possui vários activos na RDC, incluindo a mina de cobre-cobalto Mutanda e uma participação na KCC, outro grande projecto de exploração de cobre e cobalto. Em Maio, a multinacional suíça declarou-se culpada das acusações de suborno e concordou pagar mais de 1,1 mil milhões USD para encerrar as investigações nos EUA sobre violações à Lei de Práticas de Corrupção Estrangeira e, num outro processo, sobre um esquema de manipulação dos preços das mercadorias, segundo confirmou o Departamento de Justiça norte-americano.

Em Outubro, a justiça britânica sentenciou a Glencore ao pagamento de 285 milhões de libras (349 milhões USD) por subornos. Segundo o juiz Justice Frase, do Tribunal de Comércio de Londres, a empresa desenvolveu uma cultura em que "o suborno foi aceite como parte da sua forma de fazer negócios" na África Ocidental.

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo