África tem uma atenção "alta" no programa de Lula da Silva e "nula" no de Flávio Bolsonaro
África aparece de "forma desigual" nas propostas dos 13 candidatos. Seis não fazem referência ao continente e em sete varia entre uma aproximação diplomática e estratégica, perspectivas comerciais e menções pontuais.
Os eleitores brasileiros votam no domingo, 4 de Outubro, para seis cargos políticos, entre os quais o de Presidente da República, e entre os 13 "candidatos presidenciáveis" só quatro dão atenção "alta" à relação com o continente africano, entre os quais o actual Presidente Lula da Silva, e seis deles "nula", encontrando-se neste grupo o "sucessor político" do ex-Presidente Jair Bolsonaro, o seu filho Flávio, de acordo com um levantamento do Instituto Brasil África (IBRAF).
Durante o mandato do ex-Presidente Jair Bolsonaro, a relação do Brasil com África esfriou e entrou num período de quase congelamento. Só foi retomada quando Lula tomou posse a 1 de Janeiro de 2023 e sinalizou logo, no discurso inaugural, que ia retomar a cooperação com África e reatar laços que remontam ao período das descolonizações.
O Brasil foi o primeiro país do mundo a reconhecer a independência de Angola e o governo do MPLA, em 1975, e foi também dos primeiros a reconhecer a independência da Nigéria, em 1960, o "principal parceiro comercial do Brasil até 2014", quando o comércio entre os dois chegou a 10 mil milhões USD, segundo artigo da revista Sapientia, dedicada à diplomacia. São 13 os candidatos às presidenciais e destes apenas Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), têm hipótese de passar à segunda volta, a 25 de Outubro, caso nenhum candidato vença à primeira.
O Instituto Brasil África analisou os programas de governo dos 13, no sentido de "identificar como cada candidatura aborda a política externa" e que espaço África ocupa e concluiu que o continente aparece de "forma desigual" nas propostas dos candidatos.
Menções pontuais
Embora sete dos 13 presidenciáveis façam alguma referência ao continente, as abordagens, em geral, não são detalhadas e "variam entre uma aproximação diplomática e estratégica mais estruturada, perspectivas predominantemente comerciais e menções pontuais". Outros seis candidatos "não fazem qualquer referência a África", o que evidencia a ausência do tema nas propostas de quase metade dos presidenciáveis, levando o instituto a classificá-los com uma atenção "nula". Estão neste grupo Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata).
Pablo Marçal (PRTB) fazem referências directas a África, embora com diferentes níveis de profundidade e abrangência. Lula, Renan, Caiado, Costa e Marçal apresentam propostas que apontam para uma relação mais estratégica e abrangente com o continente, embora a abordagem de Marçal seja bastante resumida e pouco detalhada. Cury, por sua vez, trata a África principalmente como parceira comercial, enquanto Hertz Dias faz uma menção pontual ao abordar os direitos dos imigrantes africanos no Brasil.
Concentrando a atenção nos dois candidatos com hipóteses de vencer, o IBRAF constata que Lula propõe "explicitamente aprofundar" as relações com África, articulando essa aproximação ao Atlântico Sul, à CPLP, à União Africana e à Cooperação Sul-Sul. Já Flávio Bolsonaro destaca o comércio e a negociação "com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos", sem fazer qualquer referência a África ou a um país, em particular, no continente...










