EUA: 4,5 biliões em isenções e cortes de 2 biliões USD na despesa
O plano de Trump prevê 2 biliões USD de cortes nas despesas nos próximos 10 anos, para apoiar novos gastos com a imigração e as forças armadas, de 100 mil milhões USD. Democratas dizem que documento favorece os ricos e penaliza famílias mais pobres. Presidente anuncia "visto gold" para investidores ricos, incluindo russos.
O Presidente Donald Trump passou o primeiro grande teste da sua administração ao ver aprovado, apenas por dois votos, o seu Projecto de Lei do Orçamento na Câmara dos Representantes, esta terça-feira, dia em que o Financial Times anunciou que os EUA e a Ucrânia chegaram a um acordo sobre terras raras, que antecipa o fim da guerra na Ucrânia. O acordo foi confirmado pelo governo ucraniano e deverá ser assinado sexta-feira, dia 28, quando o Presidente Volodymyr Zelensky for recebido na Casa Branca (ver texto em caixa).
A Proposta de Lei do Orçamento, aprovada por 217 votos a favor e 215 contra, prevê isenções fiscais de 4,5 biliões USD e 2 biliões em cortes nas despesas. O documento vai agora ser fundido num novo orçamento, num processo chamado de "reconciliação", para evitar a obstrução dos democratas quando for submetido ao Senado.
A aprovação da Lei do Orçamento na Câmara dos Representantes não foi um processo fácil. Exigiu um intenso trabalho de "corredores" do Partido Republicano para ultrapassar as divisões internas, esforço que incluiu telefonemas de Trump aos indecisos. O plano de Trump "America First" prevê 2 biliões USD de cortes nas despesas nos próximos 10 anos, para apoiar novos gastos com a imigração e as forças armadas, de 100 mil milhões USD, segundo reporta a BBC.
O documento também prevê o prolongamento das isenções fiscais aprovadas em 2017, no primeiro mandato de Trump, que deverão expirar no final do ano, e a eliminação dos impostos sobre as gorjetas, as horas extraordinárias ou a Segurança Social.
Enquanto os democratas acusam a administração Trump de beneficiar os ricos com os cortes nos impostos à custa das famílias de rendimentos mais baixos, dos idosos e dos deficientes, que dependem do programa de saúde Medicaid, os republicanos mais moderados estão preocupados com os cortes na rede de Segurança Social.
"A resolução orçamental republicana na Câmara vai pôr em prática o maior corte no Medicaid da história americana", acusou o líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, democrata de Nova Iorque, aos jornalistas após a votação, como escreve a Rádio Pública Nacional (NPR).
Ainda na terça-feira, o Presidente Trump anunciou planos para oferecer um "visto gold" de 5 milhões USD, que oferece cidadania a investidores ricos, incluindo russos, e que vem substituir o visto de investidor que é concedido a pessoas que gastem cerca de 1 milhão USD numa empresa que empregue pelo menos 10 pessoas nos EUA.
Confiança dos consumidores com maior queda em 3 anos
A aprovação do Orçamento ocorre no início do segundo mês de mandato de Trump, quando esmorece o entusiasmo dos americanos por causa das medidas anunciadas pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), dirigido por Elon Musk, que inclui intimidação e o despedimento de 2,6 milhões de funcionários federais.
A confiança dos consumidores norte-americanos também se deteriorou em Fevereiro, ao ritmo mais acentuado em três anos e meio, de acordo com a Reuters. O índice de confiança dos consumidores caiu 7 pontos, o maior declínio desde Agosto de 2021, para 98,3 pontos, e as expectativas médias de inflação a 12 meses saltaram de 5,2% para 6% em Fevereiro.
"Houve um aumento acentuado das menções ao comércio e às tarifas, regressando a um nível que não se via desde 2019. Mais notavelmente, os comentários sobre o actual governo e as suas políticas dominaram as respostas", afirmou Stephanie Guichard, economista sénior de indicadores globais do The Conference Board.
Esta terça-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, defendeu as políticas de Trump e a actuação do DOGE, alegando que as tarifas "são uma importante fonte de receitas governamentais" e que o DOGE não é um "departamento de eliminação governamental", mas de corte do "desperdício governamental". No seu primeiro grande discurso sobre política económica desde que assumiu o cargo, Bessent argumentou que a economia dos EUA é mais frágil do que as métricas económicas sugerem, prometeu "reprivatizar" o crescimento cortando nas despesas e nas regulamentações governamentais e responsabilizou o ex-Presidente Biden pela "inflação persistente".
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