África do Sul lidera negócios em 2025 com 35% das transacções
Por sectores, os bens de consumo lideraram os acordos de fusão e aquisição no continente, tanto em volume como em valor, impulsionado por grandes transacções. Só a compra da sul-africana Coca-Cola Beverages Africa, a principal engarrafadora africana da marca, pela suíça Coca-Cola HBC valeu 2,6 mil milhões USD.
A actividade geral de fusões e aquisições (F&A) em África manteve-se forte em 2025, com um crescimento de 40% no valor dos acordos, comparativamente a 2024, tendo como motor a África do Sul com 35% do valor total, à frente do Quénia (20%) e do Egipto (15%). Já em termos de volume, o Egipto liderou com mais de 200 transacções, seguindo-se África do Sul com pouco menos de 200 e Marrocos com quase 100 negócios, revela o relatório da HSF Kramer sobre os negócios empresariais em 2025, divulgado a 12 de Fevereiro.
Juntos, África do Sul, Quénia e Egipto representam 70% do valor total das fusões e aquisições em África, que continuaram a crescer em 2025, apesar da incerteza gerada pelas tarifas da Administração Trump, que afectou os negócios noutras regiões do globo, sobretudo no primeiro semestre do ano.
Se o valor dos negócios na região africana aumentou mais de 40% no ano passado, o montante das transacções de fusões e aquisições de África para o resto do mundo aumentou quase 85%, apesar de uma ligeira diminuição no número de acordos, revela o relatório no capítulo dedicado às perspectivas regionais, intitulado "África - A actividade de fusões e aquisições no continente deverá manter-se forte em 2026, apesar da contínua incerteza".
Os dados atestam uma tendência ascendente dos negócios no continente, confirmando as expectativas optimistas da sociedade de advogados HSF Kramer, um dos líderes mundiais em negócios empresariais. Já a actividade de fusões e aquisições (M&A) intra-africana diminuiu em valor, com menos megacontratos em comparação com 2024, embora o volume de negócios se tenha mantido estável.
Os factores que contribuíram para esta diminuição, segundo a HSF Kramer, incluem a "incerteza geopolítica mundial e os seus efeitos económicos, o aumento das taxas de juro, que encarece o financiamento das aquisições, e as tensões comerciais globais em curso".
Em termos de investimento de capital estrangeiro, a Suíça liderou, com 3,4 mil milhões USD dispersos por 6 negócios, seguida pelo Japão, com 3 mil milhões USD e 8 negócios. O Reino Unido ficou em terceiro lugar, com 2,7 mil milhões USD e 35 negócios. Os EUA foram, no entanto, os mais activos em número de negócios, tendo estado envolvidos em 50 transacções em 2025.
Em termos globais, o Outlook da HSF Kramer revela que o ano foi "complexo" para o mercado das fusões e aquisições, com muitos compradores a adiarem decisões por causa das tarifas da Administração Trump e "pelo alarme generalizado" sobre a "imprevisibilidade" e implicações geopolíticas das suas decisões.
O cenário melhorou, após a segunda metade do ano, com "um terceiro trimestre excepcional, um dos mais fortes desde 2021", o que permitiu fechar o ano com mais de 4,3 biliões USD em fusões e aquisições. Grandes negócios em valor Na distribuição por sectores, os bens de consumo lideraram, tanto em volume como em valor empresarial, impulsionado principalmente por grandes transacções.
O relatório aponta a aquisição da sul-africana Coca-Cola Beverages Africa, a principal engarrafadora africana da marca, pela suíça Coca-Cola HBC por 2,6 mil milhões USD.
Ao todo, o sector registou mais de 180 negócios, mantendo o domínio dos últimos anos. O sector energético também manteve um elevado nível de actividade, ocupando o segundo lugar em termos de valor. Entre as principais transacções, destacam-se a aquisição pela suíça Vitol de uma participação de 30% no projecto Baleine da italiana Eni, na Costa do Marfim, por 1,65 mil milhões USD; a venda dos activos quenianos da Tullow à Gulf Energy, dos Emirados Árabes Unidos; e a aquisição pela Shell Nigeria (SNEPCo) da participação não operada de 12,5% da TotalEnergies EP Nigeria (TEPNG) no campo de águas profundas de Bonga, Nigéria, por 510 milhões USD.
O sector dos serviços financeiros também registou um aumento significativo, com a conclusão de cinco negócios avaliados em mais de mil milhões USD.
O crescente interesse do capital privado dos EUA, da Europa e de África nos negócios mineiros (particularmente de minerais críticos) poderá significar que veremos estes números aumentar no futuro, refere o relatório da sociedade de advogados.
Vários negócios concretizados em 2025 ultrapassaram a fasquia de um milhão USD, mas o mais volumoso foi a aquisição da Gold Road Resources, cotada na ASX (Bolsa de Valores da Austrália), pela Gold Fields Limited, por 3,7 mil milhões USD. Seguiu- -se a aquisição da Coca-Cola Be verages South Africa pela Coca- -Cola HBC por 2,6 mil milhões USD e a compra das cervejeiras da Diageo no Quénia pela Asahi por 2,3 mil milhões USD.











