Só quatro países africanos passam na avaliação sobre a corrupção
Ao congelar a Lei sobre Práticas de Corrupção no Estrangeiro, Administração Trump "sinaliza tolerância para com práticas comerciais corruptas", conclui a Transparência Internacional, no relatório do Índice de Percepção de Corrupção 2025. Democracias consolidadas registam recuo nos esforços para controlar corrupção.
O Índice de Percepção de Corrupção (IPC) classifica 185 países e territórios, numa pontuação que vai de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro), e tem por base 13 fontes de dados independentes. Este ano, a média global do IPC desceu pela primeira vez em mais de uma década, para apenas 42 em 100, observando-se "uma tendência preocupante de agravamento da percepção de corrupção nas democracias".
Mesmo estados com índices elevados "não estão livres de corrupção, já que apoiam, em alguns casos, a corrupção noutros países ao facilitar o branqueamento e a transferência de dinheiro proveniente de actos de corrupção", refere a TI, apontando a Suíça (80) e Singapura (84), que "têm sido alvo de críticas por facilitarem a movimentação de dinheiro ilícito".
No global, apenas cinco países obtiveram pontuação superior a 80, quando há uma década eram 12, e menos de metade (59) obtiveram uma avaliação positiva, tendo mais de dois terços dos países (68%) obtido pontuações inferiores a 50, o que significa dizer que "não conseguem controlar a corrupção".
Em África, só quatro países tiveram avaliação positiva (Seicheles, Cabo Verde, Botsuana e Ruanda). Os restantes 50 tiveram pontuações entre os 48 das Maurícias e os 9 pontos da Somália e do Sudão, os dois piores no mundo.
Ao todo, 15 países africanos registaram melhorias e subiram no ranking: Botsuana e Ruanda (ambos na 41ª posição), Senegal (65), Gana (76), Marrocos e Tunísia (91), Etiópia (96), Serra Leoa (109), Gabão (135), Libéria e Mali (136), Chade e Zimbabué (157), Guiné Equatorial (172) e Sudão do Sul (181); 16 desceram de lugar: Seicheles (que desceu da 18ª posição para 24ª), Maurícias (61), Namíbia (65), Costa do Marfim (76), Burkina Faso e Tanzânia (84), Gâmbia e Zâmbia (99), Quénia (130), Guiné (142), Madagáscar e Uganda (148), Essuatíni (153), Moçambique (161), Comoros (163) e Sudão (175). E os restantes mantiveram- se na mesma posição.
No lado positivo, emergem dois modelos de progresso, segundo a TI. Um deles é o dos ganhos a longo prazo a partir de pontuações iniciais mais baixas, como é o caso de Angola, graças aos esforços de longo prazo dos líderes políticos e reguladores, quer através de amplas reformas legais e institucionais, quer através de campanhas de controlo estatal mais restritas em contextos mais fechados. No entanto, estes esforços anticorrupção "são intrinsecamente frágeis" e requerem persistência e vigilância, alerta a Transparência Internacional.
(Leia o artigo integral na edição 863 do Expansão, sexta-feira, dia 13 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)











