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Preços da energia e fertilizantes disparam após ataque ao Irão

UNIÃO AFRICANA PEDE DESESCALADA, CEDEAO DESTACA RISCOS PARA A SEGURANÇA ALIMENTAR AFRICANA

O encerramento do Estreito de Ormuz vai ter um grande impacto no preço dos fertilizantes numa altura em que os agricultores lidam com pressões nos custos antes do arranque de um novo ano agrícola, o que põe em causa a segurança alimentar em vários países, sobretudo africanos. Inflação ameaça de novo a economia global.

Quando os ministros da Economia e Finanças do G7 se sentarem, no início da próxima semana, para analisar as preocupações das "empresas e economias", os impactos económicos e políticos do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão, que desencadeou uma guerra no Médio Oriente, estarão mais definidos e as peças no xadrez geopolítico mais alinhadas.

Por enquanto, o conflito confina-se à região, mas as repercussões são "globais", exigindo coordenação, sublinhou o ministro da Economia e Finanças francês, Roland Lescure, na quarta-feira, dia em que a França, que detém a presidência rotativa do G7, convocou uma reunião extraordinária e em que a União Europeia se distanciou dos EUA, ao manifestar solidariedade com Espanha após as ameaças de represália do Presidente Trump na sequência da interdição do uso de infraestruturas militares espanholas.

Em discussão estará, não só o impacto do encerramento do Estreito de Ormuz nos preços da energia, mas também na inflação. A interrupção deste canal bloqueou um quinto das exportações de crude globais e fez disparar o preço do petróleo, que subiu 12% para 85 USD por barril, com analistas a admitirem que possa che gar a 100 ou 150 USD se a guerra se prolongar mais de 20 a 25 dias.

O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, por onde passa um quinto do petróleo consumido no mundo, sendo crucial para o abastecimento energético global, sobretudo dos mercados asiáticos que absorvem 84%. São cerca de 20 milhões de barris de petróleo/dia provenientes da Arábia Saudita (o segundo maior produtor mundial), do Iraque, Kuwait, Qatar e dos Emirados Árabes Unidos e que têm como principal destino a China, que condenou o ataque, alegando que matar o líder de um Estado soberano (Ayatollah Ali Khamenei) e instigar uma mudança de regime "viola" o direito internacional.

A Agência Internacional de Energia, que reuniu terça-feira para debater as implicações da situação do Médio Oriente na segurança energética, diz que está pronta para ajudar a estabilizar o mercado mundial de Petróleo, mas não divulgou como. E a OPEP + anunciou o reforço da produção em 206 mil barris de petróleo dia, no domingo, um dia depois do início do ataque dos EUA, que levou a uma queda acentuada dos mercados bolsistas, sem a aprovação do Congresso.

Trump exige seguros para riscos marítimos

Esta passagem marítima, entre Omã e o Irão, é também uma rota essencial no transporte de gás na tural e de fertilizantes do Qatar. O país tem a maior instalação de exportação de gás do mundo e é responsável por cerca de 11% das exportações globais de ureia, como refere Alexis Maxwell, analista da Bloomberg Intelligence.

A QatarEnergy anunciou na terça-feira a suspensão da produção de vários produtos, como ureia, polímeros, metanol e alumínio, após suspender a produção de gás natural na sequência da chuva de mísseis disparados pelo Irão contra bases militares dos EUA e outros alvos norte- -americanos em vários países na região, incluindo no Qatar e nos Emirados Arábes Unidos. A resposta do Irão aos ataques dos EUA e de Israel afectou a operação das companhias aéreas da região e compromete o estatuto dos Emirados Árabes Unidos como destino turístico seguro. Desde o encerramento do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária do Irão, que ameaçou "incendiar qualquer navio que tentasse passar", o preço do gás natural subiu 50% e o da ureia para entrega em Março - fertilizante azotado mais utilizado nas plantações de milho - aumentou entre 60 USD a 80 USD por tonelada.

Taylor Eastman, comerciante de fertilizantes da Andersons, admite que os aumentos poderão não ficar por aí, havendo receios de que haja subidas de "centenas de dólares por tonelada nos próximos dias", o que terá grande impacto numa altura em que os agricultores lidam com pressões nos custos no arranque de um novo ano agrícola, pondo em causa a segurança alimentar em vários países, sobretudo africanos...

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