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Kamala Harris anima aliados ocidentais e encoraja democratas

SE NÃO VENCER, VICE DE JOE BIDEN PODE IMPEDIR QUE DONALD TRUMP GANHE O CONTROLO DO SENADO

Escolha de Kamala Harris "aumenta as hipóteses do Partido Democrata ganhar a Câmara dos Representantes (manter o controlo do Senado parece fora de alcance), evitando, assim, que os republicanos controlem todo o governo federal", escreve Richard Haass. Aliados ocidentais respiram de alívio com "saída" de Biden.

A saída de Joe Biden da corrida às presidenciais, abrindo caminho à sua vice, Kamala Harris, deu ânimo aos líderes ocidentais, que já se preparavam para enfrentar um ambiente político internacional adverso, mas não afastou o "fantasma" de um regresso de Donald Trump à Casa Branca, conclui Timothy Naftali, professor do Instituto de Política Global da Universidade de Columbia e historiador presidencial.

A decisão "muito difícil do Presidente Biden restaurou parte do brilho do compromisso americano com a Ucrânia e com a estabilização de outras partes do mundo", diz Naftali, em entrevista à Foreign Affairs, o que justifica a onda de entusiasmo e a "chuva" de elogios ao actual Presidente dos EUA, após três semanas em que Biden foi compelido a desistir e a ceder lugar a um candidato capaz de inverter o caminho dos democratas para a derrota.

Pelo menos até Novembro, segundo Naftali, há motivos para esperança, já que, com o regresso de Trump, "os líderes estrangeiros, tanto amigos como inimigos, poderiam antecipar uma América muito mais isolacionista", sobretudo se passasse a controlar as duas sedes do poder legislativo: a Câmara dos Representantes e o Senado.

"Se os Democratas controlarem a Câmara, o Congresso poderá conseguir aprovar pacotes de assistência à Ucrânia e a Israel, apesar de Trump estar na Casa Branca", explica o historiador, notando que Biden tem agora "oportunidade de moldar o seu legado" e influenciar o desfecho das guerras na Ucrânia e em Gaza e deixar de ser prisioneiro da "infeliz tradição" americana, de que só com o segundo mandato o "Presidente dos EUA é validado".

Biden é o primeiro Presidente dos EUA a desistir da reeleição em mais de cinco décadas e junta-se a três outros presidentes que não se submeteram uma segunda vez a eleições. Lyndon Johnson assumiu a presidência após a morte de John F. Kennedy em 22 de Novembro de 1963, sendo eleito para um segundo mandato um ano depois. Harry Truman chegou à presidência a 12 de Abril de 1945 após a morte de Roosevelt e ganhou a eleição seguinte. E Calvin Coolidge ascendeu à presidência após a repentina morte do Presidente Warren G. Harding em 1923 e foi reeleito em 1924.

Julho histórico

A decisão de Joe Biden de se afastar "transformou" a política americana, defende Richard Haass, e "é o culminar de um Julho histórico nos EUA, definido por decisões de longo alcance do Supremo Tribunal e pela tentativa de assassinato do antigo Presidente Donald Trump, na véspera da Convenção Republicana". O presidente emérito do Conselho de Relações Exteriores considera que, ao sair da corrida, Biden "elimina a crítica" de que "abriu o caminho para um sucessor que partilha pouco do seu compromisso com a democracia americana e o papel do país no mundo".

A escolha de Kamala Harris "aumenta as hipóteses dos democratas ganharem a Câmara dos Representantes (manter o controlo do Senado parece fora de alcance) evitando, assim, que os republicanos controlem todo o governo federal", escreve ainda o ex-director de planeamento político do Departamento de Estado, na primeira Administração de George W. Bush.

Neste aspecto, as análises de Richard Haass e Timothy Naftali coincidem. Já não se trata de ganhar a presidência, mas impedir que Trump não tenha domínio sobre o poder legislativo, composto por duas câmaras: o Senado (controlado hoje pelos democratas) e a Câmara dos Representantes (de maioria republicana).

Ainda assim, Haass considera que Kamala Harris, descrita na biografia da Casa Branca como alguém que "sempre lutou pelo povo", tem hipótese de ganhar, tendo em conta as suas habilidades como promotora pública, que aprimorou, mais tarde, como procuradora-geral da Califórnia. Kamala deverá, no entanto, distanciar-se de políticas que estavam muito associadas ao Presidente Biden para ganhar terreno entre os insatisfeitos.

"Nenhuma questão domina hoje o debate público, mas ainda há necessidade de diferenciar o candidato democrata de Biden, uma vez que o mandato se tornou um fardo numa altura em que muitos procuram mudanças. Quem duvida disto só precisa de olhar para os resultados eleitorais recentes na África do Sul, Índia, Reino Unido e França", nota.

Richard Haass defende, por exemplo, que Kamala Harris deverá "distanciar-se de uma política para o Médio Oriente vista por muitos americanos como demasiado pró-Israel, e de políticas na fronteira e na criminalidade vistas por muitos como demasiado frouxas". A relação com África está longe do debate político interno, mas é expectável que Kamala Harris, ao contrário do que fez a Administração Trump, reforce a aproximação ao continente, onde esteve, em 2023, em visita oficial de uma semana, com paragens no Gana, Tanzânia e Zâmbia.

Leia o artigo integral na edição 786 do Expansão, de sexta-feira, dia 26 de Julho de 2024, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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