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Opinião

O impacto das estradas na sustentabilidade da economia em Angola

António Feliciano Braça, economista

As estradas em Angola podem representar mais de 25% da produção interna, pois tudo se move pelas estradas. São um factor decisivo na escolha do local onde se instalará uma empresa.

As estradas são consideradas um itinerário geralmente alcatroado ou não, que vai de um ponto a outro, transitando nela veículos, pessoas ou animais Uma das grandes questões que se levantam atualmente, prende-se com a autossuficiência alimentar e exploração e escoamento dos recursos naturais. Ser autossuficiente significa não depender do exterior, produzir o suficiente para satisfação das necessidades da colectividade. Ser potência económica pressupõe eficácia na exploração de recursos naturais, e o respectivo escoamento.

A autossuficiência no sector alimentar presume a existência de um sector primário forte, capaz de produzir de formar eficiente, investir no melhoramento dos solos, dotar tecnicamente os agricultores e camponeses, de forma que a produção não seja simplesmente de subsistência. Tendo um sector primário forte, é importante fortalecer o sector secundário, ou seja, transformar os produtos do campo em produtos manufaturados.

Olhando para a agricultura em Angola, até 1973, satisfazia a maior parte das necessidades alimentares do mercado nacional, segundo dados da Organi[1]zação das Nações Unidas. An[1]gola é o 16.º país com maior potencial agrícola do mundo, mas actualmente apenas 3% da terra arável está cultivada. Angola dispõe de matérias-primas rurais que podem cotizar-se para a introdução de divisas no país. Café, algodão, sisal e açúcar, entre outros, constituem um latente por explorar. O setor agrícola em Angola assume elevada importância no combate à pobreza, já que é gerador de emprego e, simultaneamente, representa um forte contributo para a diversificação da economia.

Outrora, o minério de ferro era extraído nas províncias de Malanje, Bié, Huambo e Huíla e a produção alcançou uma média de 5,7 milhões de toneladas por ano entre 1970 e 1974. A maioria do minério de ferro foi enviado para o Japão e a Alemanha. Em 1988, as minas de Cassinga tinham uma capacidade de produção de cerca de 1,1 milhões de toneladas por ano. Angola também é rica em vários outros recursos minerais que não tinham sido totalmente explorados, incluindo manganês, cobre, ouro, fosfatos, granito, mármore, urânio, quartzo, chumbo, zinco, tungstênio, estanho, flúor, o enxofre, feldspato, caulim, mica, asfalto, gesso e o talco. O governo espera retomar a mineração de cristais de quartzo e de mármore ornamental no sudoeste do País.

Por mais desejo em atingir a autossuficiência alimentar e ter grandes recurso minerais, o factor decisivo para sua consolidação são as estradas, principais meios de transportes, ou seja, facilitam a circulação de pessoas e bens, podendo assim escoar os produtos para os diferentes pontos do país e promover o desenvolvimento. Olhando novamente para a agricultura, existem em Angola províncias com alto nível de produção diferenciado, outras com índice elevado de desnutrição, fome severa, pois o acesso e o escoamento dos diferentes produtos tem tido impacto negativo no bem-estar social.

Reabilitando as estradas em Angola, poderemos, nos próximos ano, tê-las como aliados ao desenvolvimento do País. Estudos indicam que as estradas em Angola podem representar mais de 25% da produção interna, pois tudo se move pelas estradas. Observando o panorama geoestratégico, cada província no País tem uma potencialidade, elas possibilitam o equilíbrio, e determinam o nível de consumo, fomentando a economia.

Actualmente, as estradas são fatores-chave para a competitividade das empresas. As empresas buscam alcançar aceleradamente matérias-primas e disponibilizar os seus produtos acabados para o comprador. É legitimamente nessa velocidade que o colectivo impõe que infraestruturas, como as estradas, possuam impacto direto. As estradas contribuem para que as empresas reduzam custos e potencializem os lucros. A boa qualidade das estradas em Angola permitirá acesso mais rápido aos diferentes mercados internos e externos, e redução de custos de transporte e facilidade na entrada de mercadorias do exterior, o que ajuda a reduzir o protecionismo, existindo maior competitividade entre as empresas.

Relativo ao fomento do sector empresarial local, as estradas são fatores decisivos na escolha do local onde se instalará uma empresa, aumentado a empregabilidade local, gerando renda e fomentando a economia. O progresso dos setores primário e secundário da economia depende da boa qualidade das estradas, sem olvidar o turismo. Assim, pode ter um impacto muito negativo no setor de hospitalidade se não existirem boas estradas. Além disso, estradas em mau estado geram insegurança e dificultam a chegada dos clientes, o que acaba por prejudicar gravemente as empresas do setor.

No nível macroeconómico, as estradas são um elemento de grande importância. Em períodos de crise económica, os Estados aumentam as obras públicas e, especificamente, a construção de estradas, que aumentam a empregabilidade, fomentam renda e, sobretudo, facilitam o comércio. O objetivo deste tipo de medidas é estimular a economia, dando um impulso a curto prazo, médio e longo prazo ao aumento da produção, ao crescimento da ocupação, aumento de rendimentos, exportação, captação de divisas e reinvestimento no sector produtivo.

Concretamente em correspondência ao emprego, as infraestruturas têm uma relação muito importante. Indiretamente, são criados empregos em atividades auxiliares, como cantinas, feiras, barracas, praças, restaurantes de beira de estrada ou postos de gasolina, sem falar no impacto positivo no setor do turismo. A melhor forma de avaliar os efeitos da construção de estradas na economia nacional é observar indicadores, como o produto interno bruto (PIB), a diferença entre exportações e importações, dados de emprego ou investimentos recuperados pelo Estado, através de impostos.

Para além da competitividade empresarial e do grande número da economia nacional, o estado das infraestruturas tem impactos muito importantes no nível de vida de uma determinada região. Em zonas interligadas por estradas, existe uma melhor distribuição de rendimentos. Ou seja, ter boas estradas permite maior crescimento da atividade económica, fazendo com que mais cidadãos beneficiem dela e, portanto, levando a uma melhor distribuição da riqueza e a uma sociedade com menos desigualdades.

As estradas com qualidade permitem a distribuição da riqueza, estão alinhadas à luta contra a fome e a pobreza, ajudando a levar alimentação, saúde e educação às áreas mais afetadas pela pobreza, respondendo, assim, às suas necessidades mais imediatas. Outrossim, a população beneficia do aumento da atividade económica gerado pelas infraestruturas que a rodeiam, o que constitui uma fonte de oportunidades de emprego e contribui para a melhoria do nível de rendimento nas famílias. As tarefas fundamentais do Estado são sempre afetadas pelo grau de desenvolvimento das infraestruturas. Logo, melhorar a infraestrutura rodoviária possibilita maior oferta de serviços públicos, garantindo um impacto positivo na economia em Angola.