Universidade virtual depende de aprovação da lei e de 5 milhões USD
Não é a primeira vez que surgem no País iniciativas para levar o ensino para o digital. Universidade virtual é concebida para ser uma instituição pública da nova geração para desenvolver a educação digital e incentivar a inovação, tecnologia, inclusão e qualidade do ensino.
O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) quer implementar a Universidade Virtual de Angola (UVA), com um investimento inicial perto dos 5 milhões USD, para incluir cidadãos fora do sistema de ensino superior, num contexto em que entre 36,6 milhões de cidadãos angolanos apenas 3,6 milhões concluiu o ensino médio e perto de 317 mil estão a frequentar o ensino superior
A expectativa e ambição do projecto não anula as fragilidades já conhecidas, como a falta de infraestruturas tecnológicas, baixa literacia digital, energia eléctrica instável, fraca segurança cibernética, ausência de cultura de ensino digital e a falta de aparelhos tecnológicos, como computadores, considerados caros para os bolsos de muitos estudantes, mas essenciais para implementação da iniciativa.
As dúvidas contínuas resultaram em poucas perguntas e muito cepticismo entre os reitores, directores de institutos e escolas superiores, docentes universitários e especialistas na qualidade de conselheiros do ministro durante o Conselho Nacional do Ensino Superior (CNES), que aconteceu no dia 18 de Março.
Não é a primeira vez que surgem no País iniciativas para levar o ensino para o digital. As nossas memórias trazem-nos à mente um projecto semelhante ao que o Ministério da Educação (MED) teve em 2017, que se chamou Escolas Virtuais de Angola (EVA). Hoje, não se sabe muito sobre a EVA que prometeu aulas online, conteúdos digitais que deviam ser transmitidos em vídeo-aulas, manuais e exercícios aos alunos da 4.ª a 12.ª classes, mas a verdade é que para a UVA frutificar precisa de uma "irriga ção" inicial de 3,8 milhões USD e um custo operacional de 1,18 milhões USD/ano, como disse o especialista em tecnologias de informação para a educação do projecto de avaliação e melhoria da qualidade do ensino superior (TEST), António Paciência.
Não se deve esquecer que o nosso sistema de ensino superior ainda procura afirmar-se em termos da qualidade de ensino e garantir a permanência de estudantes até concluir o curso superior. Neste contexto, a universidade virtual surge como ponte para o ensino híbrido na inserção de um "novo modelo" universitário do País.
A expectativa por excesso pode se revelar como um potencial ponto fraco: até 2028 o projecto prevê desenvolver plataformas de aprendizagem online, construir infraestruturas tecnológicas e formar gestores, técnicos e professores, em 2029 quer implementar o ensino virtual nas províncias de Luanda, Huíla, Huambo e Malanje, em 2030 colocar pólos em todas as províncias e matricular 20 mil estudantes, no entanto, tudo vira miragem se não for aprovado o regime jurídico até 2027.
A discussão sobre a universidade virtual despertou acesos debates entre académicos que preferiram reagir no anonimato. Por exemplo, se para alguns, a preocupação está ao nível das infraestruturas digitais e custos de manutenção, para outros, o problema tem a ver com a base, ele vado custo para comprar aparelhos tecnológicos essenciais como o computador e suporte de internet e a falta de literacia digital por parte de professores e estudantes para garantir, pelo menos, o primeiro ano de aulas.
A experiência do ensino virtual universitário é comprovado por países que possuem boa infraestrutura de internet, conteúdos digitais de qualidade, formação de professores, diplomas reconhecidos e acesso inclusivo como o Reino Unido, onde se destaca o projecto "open university" que conta com mais de 170 mil estudantes no seu sistema de ensino, na índia tem a Indira Gandhi Na tional Open University com cerca de 3 a 4 milhões de estudantes, enquanto nos Estados Unidos da América o programa é alargado nas instituições Arizona State University Online, Penn State World Campus e Oregon State University Ecampus.
África não fica de parte. África do Sul destaca-se por ter a maior universidade à distância do continente com mais de 400 mil estudantes. Já a Costa do Marfim aparece como o exemplo mais recente, com a Université Virtuelle de Côte d"Ivoire, que distribuiu computadores e cursos online para dar resposta à falta de vagas no ensino universitário.
Edição 870 do Expansão, quinta-feira, dia 02 de Abril de 2026











