Universidades privadas estão mais preocupadas com o lucro
Não se sabe quanto e como as universidades fazem a gestão do seu lucro para garantir a qualidade do ensino superior no País, uma exigência que se enquadra no princípio de boas práticas. Mas a "mercantilização do ensino superior" tem os dias contados, garante especialista.
A relação entre o lucro das universidades e os padrões de qualidade do ensino que ministram estão cada vez mais distantes e o reflexo disso está nas avaliações do Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES), que chumbou a maioria dos cursos.
As universidades privadas não apresentam contas sobre a forma como usam o dinheiro para garantir os requisitos mínimos, nem em infraestruturas, nem em investigação científica, ou extensão, currículo e quadro docente.
Apesar de a natureza económica das universidades visar o lucro, uma vez que estão enquadradas no regime de sociedades comerciais, os resultados negativos das constantes avaliações do INAAREES apontam que as universidades privadas estão mais focadas nos ganhos, deixando de lado a qualidade do ensino que ministram, aquele que deveria ser um requisito essencial do sistema de ensino superior.
Do ponto de vista empresarial, a constituição das universidades pelo regime de sociedades comerciais é, segundo um especialista, a mais adequada devido à obediência ao conjunto de regras a que se encontram sujeitas, com destaque para os princípios de responsabilidade e transparência.
Mas, na prática, as universidades não estão legalmente obrigadas a apresentar publicamente as suas contas. Ou seja, as instituições de ensino superior privadas prestam contas apenas aos seus promotores, ou proprietários, que estabelecem as prioridades de investimento, e, "sem fazer muito esforço", vê-se que estão voltadas ao mercantilismo, que devora a qualidade de ensi no", refere sob anonimato um especialista do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação.
Só que "estas práticas não vão resistir às políticas que o Ministério do Ensino Superior está a criar para terminar com a mercantilização do ensino superior no País", conclui, referindo-se ao novo modelo de financiamento das instituições de ensino, que está a ser preparado.
A divergência entre os lucros - desconhecidos pela não apresentação de contas - e a falta de qualidade, mostra que, de tempo em tempo, as universidades não investem nas suas infraestruturas de forma adequada, que não há orçamento para a produção qualitativa de estudos científicos e sua divulgação em revistas de impacto internacional, a falta de aplicação prática do ensino, a falta de investimento no quadro docente, dando vida a um número elevado de professores com grau acadé mico de licenciados, o que empo brece as competências curriculares de docentes e estudantes.
As consequências da falta de equilíbrio entre os lucros e o investimento na qualidade de ensino são visíveis nos cursos de graduação: dos mais de mil cursos avaliados, cerca de 400 foram aprovados, com bastantes reservas, e apenas seis é que possuem padrões médios de qualidade. Perante esta avaliação, o INAAREES conclui que "o ensino superior tem os padrões mínimos de qualidade com pior desempenho na investigação científica e no corpo docente"...











