"A arte é o parente mais pobre de todos os governos"
Entre a afirmação internacional e a falta de condições no mercado interno, Márcia Dias expõe não apenas obras, mas também as fragilidades estruturais da arte em Angola, onde o talento cresce, mas o apoio continua escasso.
Como surgiu a ideia de realizar uma exposição com o tema "Entre Dois Mundos"? Será das relações entre os dois países?
professora de artes plásticas na Universidade Óscar Ribas e tenho uma aluna do Oriente, de nome Molly Jasmim, que considero a melhor da turma. Então, no ano passado já tínhamos falado de realizar uma colectiva este ano, especificamente no mês da Mulher, porque a minha arte é inspirada nas mulheres. E hoje estamos aqui a concretizar, a juntar duas culturas, dois mundos e a fazer uma ponte, visto que em Angola há muitos chineses que trazem consigo a sua cultura e identidade. Portanto, as minhas vivências como artista visual, que apresentou o seu trabalho em vários centros artísticos internacionais, levaram-me a compreender que a arte é a ponte entre culturas. Esta exposição simboliza o encontro entre Angola e a China através da sensibilidade, da cor e da expressão artística.
Pondera fazer uma exposição com as outras alunas?
Sim, já pensei. Mas elas ainda não estão bem preparadas para expor um trabalho, pois requer muita preparação. Sou de opinião que o artista não deve apresentar um trabalho quando ainda não tem a devida capacidade de o fazer. No entanto, quando vamos apresentar um trabalho ao público, temos de saber a responsabilidade que ele carrega antes de o apresentar. Como professora, tenho de defender o que estou a ensinar.
É de opinião que Angola e a China devem fazer esse intercâmbio cultural e não ficar apenas nas relações políticas e económicas?
Sem dúvida. Devemos fazer esse intercâmbio cultural, pois isso dignifica Angola e traz para o País outros artistas que irão levar ao mundo a história e a cultura nacional. As relações culturais fortalecem os laços humanos e permitem um diálogo mais profundo entre os povos, além das dimensões económicas e políticas. Se observarmos, actualmente, temos vários centros e estabelecimentos comerciais, shoppings, restaurantes, entre outros espaços ligados à comunidade chinesa em Angola, logo deve haver também essa forte ligação na arte.
Expôs uma obra aquando das celebrações do Ano Novo Chinês?
Sim. Fiz uma pintura ao vivo para cerca de sete mil pessoas na Cidade do Século.
Quantos quadros temos nesta exposição?
Não contabilizei, mas temos à volta de 18 quadros aqui.
Entre os que estão expostos, o preço de venda varia de quanto a quanto?
O valor da obra depende do tamanho, da temática, do material e de outros elementos envolvidos no processo de produção. Mas é a partir de 500 mil kwanzas, porque há obras que levam folha de ouro, que são figurativas e outras que são realistas. Então, não consigo dar um preço sem fazer um orçamento primeiro.
Quando é que uma obra está definitivamente acabada?
A obra nunca está terminada. Se não me tirarem a obra da frente, todos os dias vou achar que falta alguma coisa. Portanto, estas obras, quando saírem daqui, terão de ir para uma galeria, senão nunca estarão terminadas diante dos meus olhos.















