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"O grande desafio de ser actriz é sair da personagem para a vida real"

GRACIANY SUKISSA | ACTRIZ

Entre as oportunidades e desafios que enfrenta no panorama artístico, a actriz, apresentadora de televisão e modelo Graciany Sukissa aponta a falta de investimento, de infraestruturas e de oportunidades como entraves para que os artistas angolanos tenham maior projecção e reconhecimento no circuito internacional. A falta de equilíbrio emocional na gestão da carreira e da vida pessoal também pesa.

Após integrar o elenco de "A Ficha Entrou", prepara-se para a estreia de "Querido Vou Posar Nua". O que representa para si esta sequência de trabalhos no teatro e como tem conseguido conciliar o ritmo das produções?

Trabalhar nesta sequência de ritmos é sempre gratificante. Como actriz, o meu foco é, e sempre será, mostrar o que sei fazer dentro das artes. Entretanto, sou actriz do Elinga Teatro, mas este é o terceiro ou quarto trabalho do Horizonte Njinga Mbande em que participo e já me sinto familiarizada por receber esses convites. Participar em "Querido Vou Posar Nua" é mais um desafio.

Que experiências pôde adquirir ao trabalhar com estas duas companhias de teatro?

Tenho experiências nacionais e internacionais. E isso permite- -me não aceitar muitos convites de trabalho para não parecer irresponsável, porque tenho uma agenda preenchida. Ao aceitar uma participação e não poder honrar, compromete não só o trabalho de quem está a convidar, mas também a minha imagem.

A representação surgiu como uma escolha consciente ou foi acontecendo naturalmente?

Penso que já nasci com o dom da representação, porém não o tinha descoberto até ir a um espectáculo e ver o meu ex-namorado a representar. Vê-lo em cena, motivou-me a entrar para o teatro e, quando entrei, apaixonei-me logo à primeira. Quando estou em cena, consigo sentir a naturalidade com que represento.

Acredito que nasci para ser actriz. Quando percebeu que queria fazer da representação uma profissão?

Quando recebi a proposta de começar a gravar novelas. Foi aí que comecei a envolver-me mais profissionalmente. Porque comecei no teatro, entrei para o grupo Amor à Arte, depois comecei a trabalhar como secretária no Elinga Teatro, lembro-me de que, na altura, recebia um salário de 60 mil kwanzas. Tempos depois, recebi o convite do Mena Abrantes e da Cláudia Púcuta para fazer parte da companhia como actriz, aceitei e decidi ficar até hoje. Ao longo dos ensaios, certa vez, o Raul do Rosário viu-me e no dia seguinte recebi a informação de que ele precisava de mim para um trabalho na novela O Rio.

Entrou para a teledramaturgia por indicação do Raul do Rosário?

Sim! Quando surgiu a oportunidade, abracei-a, fiz o casting, passei e comecei a gravar. Logo no primeiro dia, gravei com a Lesliana Pereira, uma actriz que muito admiro no nosso mercado, estava muito nervosa por ser ainda inexperiente, mas ela foi muito compreensível comigo, orientou-me e os resultados foram um espectáculo.

Contracenar com artistas consagrados no nosso mercado e não só, foi também uma das razões que a levaram a abraçar a arte como profissão?

Até hoje, eu e a Lesliana Pereira trocamos experiências. Depois daquela actuação, comecei a encarar a arte da representação como uma profissão, porque deixei o trabalho de secretária e passei a dedicar-me somente a ser actriz e a receber um rendimento de 13 mil kwanzas por cada participação. Havia semanas que só tinha duas participações, ainda assim continuei porque estava determinada a tornar-me uma actriz de sucesso. E entrar para a produtora Diamond Films contribuiu para que eu chegasse até aqui. Não se importou de largar um trabalho com um rendimento de 60 mil para abraçar um que só lhe rendia 13 mil kwanzas por cada produção. Sim! Larguei, sem saber o que podia acontecer depois, apenas tive a certeza de que era aquilo que queria para mim, mesmo passando necessidades em casa, porque sou a primogénita de quatro irmãos. Infelizmente, aos 11 anos o meu pai abandonou-nos, deixando a minha mãe grávida. Então, desde muito cedo assumi a responsabilidade de ajudar a minha mãe nas despesas de casa...

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