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"Aprendi que o teatro é a fonte e tudo deve começar aí"

LEONORA DE CARVALHO

Começou no teatro e chegou à televisão com participações em várias produções nacionais e internacionais. Leonora de Carvalho considera que as produções devem aumentar para dar oportunidade a mais actores com potencial e criar o mercado nacional de teledramaturgia.

Faz parte do elenco da novela "O Rio". Gosta da personagem?

Sim. Represento a Mafuti, uma mulher sulana, da província do Bié, na Lubia. Estou a gostar dela porque, como professora de teatro, já pensava e dava ideias aos autores para fazerem trabalhos assim, para explorarem o interior de cada província e dar a conhecer o País. Falo, por exemplo, do Mwana Nketo, não estou a dizer que foi ideia minha, não. Mas acho que devemos dar mais a conhecer a nossa cultura, que não deve ser confundida com tradições, apesar de estarem ligadas.

Ser mais conhecida por nós ou pelos outros?

Mais conhecida por nós. Os nossos filhos não sabem de nada. Estão muito fechados. Quando o Sílvio Nascimento ligou a convidar para a novela, achei muito interessante. Até pensei que os actores fossem obrigados a falar um pouco da língua ou pelo menos o sotaque. Mas acharam que podia ser espontâneo, para não parecer forçado. Eu consegui porque sou natural de Benguela (risos). Estou-me a divertir e muito.

Uma personagem próxima da realidade, já que na vida real é tratada como a tia de todos...

É incrível. Sempre pensei porque é que me dão sempre personagens com um pouco de mim!? Na verdade, a Mafuti é mãe de todos e a Nora é a tia de todos.

Ainda assim precisou fazer laboratório?

Não minto que algumas cenas são espontâneas, não custam muito, vou buscar a quem já conheço, como a minha falecida mãe. Depois penso naquela irmã, ou na tia e na vizinha e vou misturando. Não está a ser difícil, porque a Mafuti é uma parte minha, apesar de não gostar muito de levar o meu lado cristão para as artes. Mas, enfim, deram-me uma personagem que é quase a Nora.

Gostava de ser a vilã?

Pois. Estão-me sempre a dar o papel de boazinha, conselheira. Também quero ser vilã, a fofoqueira, aquela que mente (risos).

Antes disto participou na série "Esperança".

Na verdade, conheci o realizador de "Esperança". Por acaso, ele veio por conta de um spot publicitário e gostou muito de mim. Eu pensava comigo: este senhor está a exagerar. Cada vez que me visse gritava o meu nome, me tocava.

Mas foi a primeira vez que foi acarinhada desta forma?

Não. Já tinha acontecido no Brasil, quando fui gravar a novela "Minha terra, minha mãe" também foi a mesma coisa. Eu só dizia: esta gente está a exagerar. Mas não. Pois, então, no final do trabalho, o Pedro, realizador de "Esperança", pediu o meu contacto e disse-me que quando eu fosse à Portugal o avisasse. Fui para lá e liguei. E ele disse logo: vou focar a personagem em ti. E assim foi. Mas os sucessivos adiamentos fizeram-me pensar que a série não sairia.

Como foi trabalhar com o elenco?

Gostei muito, foi divertido, fui muito bem recebida. Foi daquelas experiências boas que nos fazem crescer como artista e pessoa. A recepção do produto final foi fantástica, porque não fui apenas mais uma negra a participar num trabalho em Portugal. Fui muito bem recebida.

(Leia o artigo integral na edição 666 do Expansão, de sexta-feira, dia 18 de Março de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)