52 dias após as eleições cesta básica sobe em média 10%
"É compreensível! O Executivo tinha interesse em ser reeleito. E fez uso de todos os instrumentos para tal", reagiu Wilson Chimoco, ao explicar a subida de preços após as eleições. À mesa dos angolanos, há alimentos que têm uma presença mais tímida. A carteira obriga a racionar produtos e quantidades.
Os principais produtos da cesta básica subiram em média 10%, desde as eleições gerais de 24 de Agosto, concluiu o Expansão ao comparar os preços dos produtos levantados uma semana antes do sufrágio e 52 dias depois, no sábado, 15 de Outubro. A análise teve como base um levantamento de preços de 13 produtos considerados fundamentais na dieta dos angolanos, nos mercados informais da capital. Segundo a pesquisa feita pelo Expansão, os preços do arroz, açúcar, fuba de milho, peixe carapau e feijão catarina são os que registaram maiores aumentos.
O saco de arroz de 25 Kg, da marca Uncle Sam, um dos mais consumidos em Angola, é o produto que mais pesa na tabela. Saltou de 7.200 Kz para 9.900 Kz, uma variação de 38%. O quilo de açúcar subiu de 500 Kz para 650 Kz nos últimos 52 dias, apresentando uma variação de 30%. A fuba de milho e o feijão catarina, que apresentam uma variação de 14% e 25%, respectivamente, também viram os seus preços ser alterados. O peixe carapau, com um aumento percentual na ordem dos 10%, passou de 29 mil Kz a caixa de 20 Kg para 32 mil Kz.
Durante o período em análise houve alguns produtos que andaram na contramão e que apresentaram descida de preços. É o caso da fuba de bombó e do cartão de ovos, que passaram de 150 Kz para 100 Kz e 2.900 Kz para 2.500 Kz, registando uma variação de -33% e -14%, respectivamente.
Preços que não alteraram
Entre os preços que baixaram e os que subiram há aqueles que se mantiveram na mesma, como é o caso da batata rena, sal e da farinha de trigo, que estão a ser comercializados a 500 Kz, 100 Kz e 350 Kz o quilo, respectivamente. O economista Wilson Chimoco explica que, de uma forma geral, o aumento dos preços começa a reflectir a inflação importada. E apresenta como exemplo o arroz, cuja produção ainda não representa sequer 5% das necessidades internas. Este foi o produto que registou maior aumento no período. O que claramente, de acordo com o economista, representa uma inflação importada.
Ainda segundo o economista, deste o início do ano, a desaceleração dos preços foi suportada pelo aumento na oferta de produtos induzidos pela REA e pela apreciação cambial. Ora, com a estabilidade da taxa de câmbio e a manutenção dos aumentos dos preços nos mercados internacionais, "a tendência de aumento é natural, via importação dos custos daqueles produtos". "É compreensível! O Executivo tinha todo o interesse em ser reeleito nas últimas eleições. E fez uso de todos os instrumentos possíveis para tal. E, claramente, houve uma estratégia de desaceleração dos preços, que, através da pressão sobre a taxa de câmbio, via venda de divisas no mercado cambial pelo Tesouro Nacional, quer pela oferta destes produtos pela REA", disse.
Impacto no bolso
Maria Anastácio é dona de um estabelecimento comercial de venda a grosso no Mercado dos Congolenses há mais de 7 anos. À nossa reportagem, a comerciante afirmou que os preços de alguns produtos da cesta básica estão a aumentar pelas dificuldades que os comerciantes têm tido para os comprar.
Fátima de Oliveira é dona de casa e mãe de 5 filhos. Aos 45 anos, a enfermeira de profissão explica que não tem sido fácil fazer os cálculos para a compra dos produtos da cesta básica nos últimos dias. "Eu trouxe para o mercado 40 mil Kz só para fazer um apanhado, ou seja comprar um pouco de tudo, mas mesmo assim foi um pouco difícil fazer a compra da maioria dos produtos. No mês passado, até que estava um pouco mais razoável, mas agora está mesmo um pouco duro de resolver", disse.
A fazer coro com Fátima de Oliveira está o sexagenário João Manuel, que se deslocou aos armazéns do Golf 2 para comprar uma caixa de peixe, por ser um dos poucos alimentos congelados que está autorizado a comer por orientação médica. Ao chegar ao mercado, João Mateus foi surpreendido quando percebeu que o preço saltou de 29.000 Kz para 32.000 kz. "Na semana passada, ainda estive aqui com o meu filho mais velho para comprar arroz e fuba de milho e o peixe estava a custar 29.250 Kz. Uma semana depois, subiu estes 3 mil Kz. Para alguns não faz muita diferença, mas para mim faz uma falta enorme", queixou-se.
Melissa António (nome fictício) é funcionária do Ministério dos Transportes há 5 anos e, em declarações ao Expansão quando fazia compras no Golf, 2 disse que os preços da cesta básica deviam ser mais controlados pelo Ministério do Comércio, para evitar especulação por parte de alguns comerciantes. "Só pelo facto de serem produtos básicos deviam ser bem controlados, para evitar especulação. Em Angola nós já temos falta de muita coisa, acho que o Governo devia garantir que tenha[1]mos, pelo menos, comida à mesa", dispara.











