Bancos ficaram com mais 1.186,2 milhões USD do que em 2024
Mesmo com maior disponibilidade de divisas no mercado cambial, a taxa de câmbio esteve praticamente estagnada nos 912 Kz em relação ao dólar, o que volta a levantar questões sobre intervenções do banco central no mercado ou sobre a "vontade" dos bancos comerciais em manterem o câmbio neste nível.
As vendas de divisas aos bancos comerciais cresceram 11% para 12,0 mil milhões USD em 2025 face aos 10,8 mil milhões USD registados em 2024, o que significa que os bancos compraram mais 1.186,2 milhões USD ao longo do ano passado, segundo cálculos do Expansão com base nas estatísticas do Banco Nacional de Angola (BNA). Este crescimento foi impulsionado pelo reforço das disponibilidades em moeda estrangeira das empresas petrolíferas e diamantíferas, e pelo aumento de outras transacções efectuadas fora da Plataforma Bloomberg, factores que contribuíram para uma maior oferta de divisas ao sistema bancário.
Na plataforma Bloomberg, as divisas para os bancos comerciais vêm, essencialmente, de três canais, por esta importância, petrolíferas, Tesouro Nacional, diamantíferas e o Banco Nacional de Angola, este último de forma pontual.
Fora da Plataforma, onde as transacções são realizadas por outras entidades, nomeadamente embaixadas, organizações internacionais, instituições religiosas, empresas e diversas outras instituições e clientes particulares que, mensalmente, vendem moeda estrangeira directamente aos bancos comerciais.
Neste contexto, as petrolíferas mantiveram-se como o principal fornecedor de divisas ao sistema bancário, ao disponibilizarem cerca de 5.075,2 milhões USD no ano passado, o que representa um crescimento de 15% face aos 4.404,2 milhões USD do período homólogo. Em termos absolutos, estas empresas colocaram no mercado mais 671,0 milhões USD do que no ano anterior.
As diamantíferas também aumentaram as vendas para as instituições bancárias ao transaccionarem cerca de 1.098,3 milhões USD (+175,0 milhões). Já as transacções realizadas fora da plataforma Bloomberg foram as que mais cresceram, ao registar um aumento de 40% para 3.341,0 milhões USD, o equivalente a um acréscimo de 947,7 milhões USD face aos 2.393,4 contabilizados no período homólogo. Em sentido contrário, as vendas dos organismos públicos aos bancos comerciais afundaram.
O Tesouro Nacional vendeu cerca de 1.824,5 milhões USD, o que representa uma queda de 7% face aos 1.967,5 milhões USD vendidos em 2024, equivalente a menos 144 milhões USD colocados no mercado. Mais expressiva foi a redução da actuação do Banco Central. Em 2025, o BNA vendeu apenas 489,0 milhões USD em divisas aos bancos comerciais, uma queda de 49% face aos 953,5 milhões USD do ano anterior.
O facto é que mesmo com mais disponibilidades de divisas no mercado cambial, a taxa de câmbio ficou praticamente estagnada nos 912 Kz em relação ao dó lar em todo o ano de 2025, o que volta a levantar questões sobre intervenções do banco central no mercado ou sobre a "vontade" dos bancos comerciais em manter o câmbio neste nível, já que durante a conferência de imprensa do primeiro Comité de Política Monetária (CPM) deste ano, o governador do Banco Central, Tiago Dias, insistiu em dizer que "não existe uma gestão administrativas da taxa de câmbio", e que o próprio BNA também se tem interrogado sobre o que tem levado os bancos comerciais a introduzirem as mesmas taxas de câmbio na plataforma Bloomberg.











