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Economia

Malparado na banca encolhe 190 milhões USD nos primeiros nove meses de 2025

POR CADA 1.000 KZ DE CRÉDITO BANCÁRIO, 167 KZ ESTÃO MALPARADOS

Queda da inflação, redução das taxas de juro no interbancário, aliadas à gestão administrativa do kwanza e ao aumento do stock de crédito, contribuíram para a diminuição do incumprimento. Longe vão os tempos em que o malparado valia 34,5% do crédito bruto da banca, como aconteceu em Junho de 2019. Hoje as regras estão mais apertadas, mas o malparado ainda é considerável.

O crédito malparado na banca angolana caiu 2,5 pontos percentuais para 16,7% nos primeiros nove meses do 2025 face a 2024, o que significa que dos 9,1 biliões Kz que valia o crédito bruto da banca até Setembro, cerca de 1,5 biliões Kz (equivalentes a 1.661 milhões USD) estavam em incumprimento, de acordo com cálculos do Expansão com base nos dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

Contas feitas, foram menos 170,0 mil milhões Kz em malparado do que em Dezembro de 2024, quando o crédito em incumprimento na banca rondava os 1,7 biliões Kz. Se contabilizarmos em dólares, o malparado caiu quase 190,0 milhões USD nos primeiros nove meses do ano passado. Assim, por cada 1.000 Kz de crédito bruto do sistema financeiro nacional, cerca de 167 Kz es tavam malparados até ao III trimestre de 2025.

Ainda assim, longe vão os tempos em que o malparado valia 34,5% do crédito bruto da banca, como aconteceu em Junho de 2019. Com o total do crédito bruto de 4,9 biliões Kz, à taxa de câmbio da altura equivalia a 14.494 milhões USD, o que significa que o malparado em J nho de 2019 era de cerca de 5.000 milhões USD, tendo baixado substancialmente quando, em Junho de 2020, a Recredit "assumiu" o crédito em incumprimento do maior banco público, o BPC.

A queda deste ano do malparado, deve-se, por um lado, às consequências do desaperto da política monetária verificada ao longo do ano, depois de o BNA reduzir, por duas vezes, a taxa básica de juros e as facilidades permanentes de cedência e absorção de liquidez, e de ter suspendido empréstimos de dinheiro à banca.

Normalmente, quando alguém vai a uma instituição bancária pedir crédito, o banco cobra-lhe uma taxa Luibor mais uma margem que depende do risco desse cliente. Depois de ter fechado 2024 em 22,7%, a Luibor tem estado a cair consecutivamente até se fixar em 18,79% em 2025, o que, teoricamente, significa que os créditos viram a suas prestações reduzir, desagravando as dificuldades das famílias e das empresas em cumprir as suas obrigações, dando margem para a redução do malparado.

Assim, taxas de juro mais baixas significam menos esforço de famílias e empresas para cumprirem as suas obrigações financeiras. Por outro lado, está também a estabilidade da moeda nacional, já que o dólar está praticamente parado nos 912 Kz desde Dezembro de 2024.

Só em 2025, o valor do dólar face à moeda nacional oscilou num intervalo inferior a 1 Kz durante todo o ano, embora o BNA tenha reiterado em várias ocasiões que o mercado cambial opera "com base na oferta e procura", mas admitiu que a sua intervenção tem sido "prudencial" para evitar volatilidade excessiva num contexto de forte desaceleração do sector petrolífero, menor entrada de divisas e aumento da incerteza macroeconómica.

Em períodos de desvalorização da moeda, muitas empresas perdem margem de manobra e têm dificuldades em cumprir as suas obrigações bancárias. Já com a estabilidade cambial, as empresas passam a dispor de maior margem de gestão e melhores condições para cumprir as suas obrigações junto da banca, o que contribui para a redução do rácio de incumprimento.

Leia o artigo integral na edição 859 do Expansão, sexta-feira, dia 16 de Janeiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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